O Ministério Público de São Paulo denunciou o ex-bispo católico Valdir Mamede por importunação sexual contra um padre durante cinco anos, entre 2019 e 2023. Segundo a acusação, Mamede “por diversas vezes”, dentro da Paróquia de São Sebastião, na cidade de Ibirá, e também na Residência Episcopal de Catanduva, interior de São Paulo, praticou atos libidinosos contra a vítima sem sua anuência, “mediante dissimulação, abuso de poder e violação de dever inerente a cargo, ofício, ministério ou profissão e exercendo sua autoridade sobre ela”.
Mamede foi bispo auxiliar da Arquidiocese de Brasília e renunciou à batina em meio à investigação policial. A denúncia é subscrita pelo promotor Caíque Ducatti, que assumiu a condução do caso por ordem do procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa. Na denúncia protocolada na 2ª Vara Criminal de Catanduva, o promotor atribui pelo menos quatro fatos ao ex-bispo. “Aproveitando-se dessa relação de hierarquia, da extrema vulnerabilidade psicológica da vítima e de ameaças veladas de punições canônicas, como, por exemplo, remoção da paróquia ou o impedimento do exercício do ministério sacerdotal, caso seus desejos não fossem satisfeitos, Valdir Mamede iniciou um processo de aproximação física da vítima sob o pretexto de necessitar de cuidados pessoais (depilação corporal íntima), conduta que mascarava sua real intenção libidinosa.”
A denúncia se baseia no inquérito policial. Em setembro de 2022, na Residência Episcopal, Mamede pediu ao padre para “dormir na casa dele”. Na ocasião, alegou que precisava da vítima para levá-lo até o aeroporto de São José do Rio Preto no dia seguinte. À noite, Valdir estava assistindo a um filme com a vítima e “pulou em cima dela, agarrando-a e beijando-a à força, além de tê-la mordido no corpo (…)”.
Nos anos de 2022 e 2023, ainda conforme a denúncia, quando “ficava embriagado”, o bispo “efetuava, por diversas vezes, ligações por vídeo para a vítima, que estava em Ibirá, ficava nu e se masturbava na presença virtual”. Em 2023, próximo ao mês de fevereiro, à noite, a vítima estava em sua residência quando Mamede telefonou, por diversas vezes, e disse que estava em frente ao imóvel. “Ao entrar na residência da vítima, Valdir tirou as roupas, tentou agarrar a vítima, sem a anuência dela, e exigiu que usasse Viagra, mas ela o empurrou.”
O promotor pede, além da condenação criminal, que Mamede seja obrigado a reparar danos morais à vítima no valor mínimo de R$ 300 mil. Requer ainda a imposição de medidas cautelares ao ex-bispo “sobretudo, para evitar a reiteração de atos de coação moral”. Entre as cautelares estão: proibição de manter contato com a vítima e com as testemunhas arroladas na denúncia, por qualquer meio de comunicação; de aproximação da vítima e das testemunhas, fixando-se o limite mínimo de distância de 500 m; de frequentar a paróquia de São Sebastião em Ibirá/SP e a sede da Diocese de Catanduva/SP; de ausentar-se da comarca onde reside sem autorização judicial, bem como a entrega do passaporte em juízo, no prazo de 24 horas; proibição de mencionar ou fazer referência à vítima em qualquer meio de comunicação e aos fatos.
Se as cautelares forem aplicadas a Mamede, o descumprimento de qualquer das medidas poderá resultar na decretação de sua prisão preventiva. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
