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Atraso no envio de doses da AstraZeneca pela Índia afeta a vacinação no Reino Unido

Envolta em uma segunda onda de coronavírus, a Índia está reivindicando as vacinas do Instituto Serum.(Foto: Reprodução)

Uma remessa atrasada da Índia da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca/Oxford está por trás do anúncio, feito na quarta-feira (17), de que o Reino Unido terá que reduzir o ritmo de sua vacinação a  partir do fim deste mês.

“Nós temos um atraso na entrega programada do Instituto Serum da Índia”, afirmou o ministro da Saúde, Matt Hancock, no Parlamento.

Hancock ainda acrescentou que, separadamente, a distribuição de um lote com 1,7 milhões de doses foi adiada para que os imunizantes sejam retestados, sem especificar o fabricante do material.

O atraso das vacinas produzidas na Índia está relacionado a pressões do governo local para para que suas farmacêuticas passem a entregar mais doses dentro do país do que para o mercado externo.

O Serum enfrenta pressão para priorizar a Índia e outros países com extrema necessidade de vacinas, disse seu presidente, Adar Poonawalla, no início desta semana.

Devido ao atraso, o governo britânico passou a oferecer as doses restantes da AstraZeneca para pessoas que ainda não tomaram a segunda dose e aquelas com maior risco de desenvolver casos graves de covid-19.

Um porta-voz do Instituto Serum disse que foram enviadas 5 milhões de doses ao Reino Unido há algumas semanas. Das 100 milhões de doses da vacina da AstraZeneca encomendadas pelos britânicos, 10 milhões virão da Índia.

“E nós vamos tentar fornecer mais depois, com base na situação atual e nas exigências do programa de imunização governamental na Índia”, ele explicou.

A Pfizer e as unidades de produção da AstraZeneca no Reino Unido afirmaram que seus cronogramas de entrega aos britânicos não foram impactados.

O Serum responde pelo fornecimento de mais da metade das vacinas usadas até agora no programa Covax, apoiado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que visa fornecer vacinas aos países mais pobres e em desenvolvimento.

A AstraZenaca não quis comentar o atraso. A empresa disse que a “cadeia de suprimento doméstico do Reino Unido não enfrenta nenhuma interrupção e não há impacto em nosso cronograma de entrega”.

Um porta-voz do Departamento de Saúde e Assistência Social do Reino Unido disse que o número de vacinações realizadas irá variar de acordo com a oferta, mas que o país mantém a meta de oferecer a primeira dose para todas as pessoas com mais de 50 anos até meados de abril e para todos os adultos até o final de julho.

O Reino Unido é um dos países mais adiantados na vacinação, já tendo aplicado a primeira dose em mais de 25 milhões de pessoas, numa população de 66 milhões.

Disputa com a UE

A AstraZeneca também enfrenta problemas no fornecimento para a União Europeia. Das 300 milhões de doses previstas para a entrega até o final de junho, apenas 100 milhões serão entregues no prazo.

Nesta quinta (18), a Comissão Europeia, órgão executivo da UE, anunciou que enviará uma carta à farmacêutica como parte dos esforços para resolver a disputa. A carta é, segundo prevê o contrato de fornecimento firmado entre as duas partes, o primeiro passo de um litígio que pode acabar nos tribunais.

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