A equipe ministerial anunciada pelo presidente em exercício Michel Temer não foi bem recebida por ativistas de causas sociais e defesa das minorias. Entre os 23 nomes confirmados para o primeiro escalão do peemedebista, não há nenhuma mulher ou negro.
Desde que a primeira mulher assumiu o comando de uma pasta do primeiro escalão – a ministra da Educação Esther de Figueiredo Ferraz, do governo de João Figueiredo (1979-1985) –, todos os presidentes sempre tiveram colaboração feminina em algum momento. José Sarney contou com apenas uma ministra; Fernando Collor e Itamar Franco, duas cada um; já Fernando Henrique Cardoso, ao longo de seus dois mandatos, teve quatro ministras; Lula, também em oito anos, reuniu dez mulheres na equipe. Já Dilma Rousseff, quando assumiu seu primeiro mandato, empossou outras dez mulheres. Sem contar ministras interinas, 14 mulheres ocuparam os gabinetes da administração de Dilma.
“É quase inacreditável que tenhamos retrocedido quase três décadas. Foram duas grandes perdas: o fato de não termos nenhuma ministra e o desaparecimento da Secretaria das Mulheres, que foi incorporada pelo Ministério da Justiça”, critica a escritora e presidente da entidade Rio Como Vamos, Rosiska Darcy de Oliveira.
Romero Jucá, novo ministro do Planejamento, não se pronunciou em relação à falta de negros na equipe. Ele creditou a falta de ministras às articulações políticas que apoiam o governo. “Isso precisa ser discutido com os partidos que negociaram e indicaram técnicos ou políticos para compor essa base”, disse Jucá, garantindo que haverá nomes femininos em cargos como as secretarias nacionais.
Ex-ministra do Supremo Tribunal Federal, Ellen Gracie foi convidada para assumir a AGU (Advocacia-Geral da União), mas recusou o convite. (AG)
