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Avião militar que decolou do Afeganistão com superlotação levava mais de 820 passageiros

Estimativa inicial de 640 afegãos omitiu crianças a bordo. Aeronave pousou em segurança no Qatar. (Foto: Divulgação/Defense One)

A aeronave militar dos Estados Unidos cuja foto rodou o mundo, devido ao número de afegãos que fugiram amontoados em seu interior após a tomada de Cabul pelo Talibã no último domingo (15), transportava 823 passageiros, disse o Pentágono nesta sexta-feira (20).

O comando aéreo militar americano explicou que a estimativa inicial de 640 afegãos que fugiram sentados no chão duro do gigante C-17 Globemaster III — normalmente usado para carregar cerca de 100 pessoas — omitiu as crianças a bordo.

A contagem inicial foi feita tomando como referência o número de assentos ocupados nos ônibus que levavam passageiros ao C-17 e deixavam de lado todas as crianças sentadas no colo dos adultos, explicou no Twitter.

O avião, que seguiu para o Qatar, “transportou com segurança 823 cidadãos afegãos do aeroporto Hamid Karzai em 15 de agosto de 2021. Isso constitui um recorde para esta aeronave”, disse o comando do Pentágono. O número de tripulantes a bordo não foi especificado.

Segundo a publicação Defense One, a pressão dos afegãos para deixar o país no domingo levou a tripulação a decidir por fazer o voo sem que os passageiros fossem revistados.

“Temos mulheres, crianças e vidas de pessoas em risco, não se trata de capacidade ou regras e regulamentos, é sobre o treinamento e as diretrizes que fomos capazes de manejar para garantir que poderíamos tirar [do país] tantas pessoas de forma segura e efetiva”, disse o tenente-coronel Eric Kut, que comandou o voo.

Aeronaves desse tipo costumam ser utilizadas para transportar equipamentos pesados ou algumas centenas de soldados, além de caixas pesadas com armas e pertences.

Esforços

O presidente americano Joe Biden enfatizou nesta sexta, em pronunciamento na Casa Branca, que a prioridade americana neste momento no Afeganistão é tirar seus cidadãos e os aliados locais do país, para garantir sua segurança em meio à rápida tomada do poder pelo grupo extremista Talibã. Ele prometeu que todo norte-americano que quiser será retirado do Afeganistão.

“Faremos tudo, tudo que pudermos para proporcionar uma retirada segura para nossos aliados afegãos, parceiros e afegãos que podem ser visados por causa de sua associação com os Estados Unidos”, acrescentou o presidente.

“Não se enganem, esta missão de retirada é perigosa. Não posso prometer qual será o resultado final, mas, como comandante-em-chefe, posso garantir que vou mobilizar todos os recursos necessários”, afirmou Biden.

Ele afirmou que os EUA fizeram “progresso significativo” nos últimos dias e citou a garantia da segurança do aeroporto de Cabul, com quase 6 mil soldados americanos, que pode contribuir para a retirada.

“Aos afegãos que serviram conosco, que foram a combate conosco, como intérpretes e tradutores, peço que aguardem, vocês têm o comprometimento dos EUA”, disse ele.

Biden afirmou ainda que o governo retirou 204 jornalistas do Afeganistão esta semana e que aumentou o número de pessoas que estão ajudando a sair do país.

“Não sabemos o número exato de americanos que estão lá”, afirmou, mas disse que a prioridade é tirar todos os cidadãos dos EUA do país.

Biden admitiu que as cenas de Cabul são tristes: “Vimos imagens de pessoas em pânico, agindo desesperadamente. Estão com medo, tristes, sem saber o que acontecerá. Ninguém pode ver as fotos e não sentir dor” disse.

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