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Avó, mãe e filho morrem de covid-19 em um intervalo de dez dias em Brasília

Média de mortes também cresce mais uma vez. (Foto: Reprodução)

No mês mais letal da pandemia de covid-19 no Distrito Federal, com o registro de 1.191 mortes, uma família perdeu três pessoas em um intervalo de dez dias, de 18 a 28 de março. Para o mecânico Antônio Marcelo da Silva, “a ficha ainda não caiu” desde o falecimento do filho, da esposa e da sogra.

“Eu já estava passando por uma forte emoção, porque já tinha perdido duas pessoas. A ficha nem caiu ainda. O sofrimento é muito grande.”

O técnico em refrigeração Stênio da Silva, de 26 anos, filho de Antônio, foi o primeiro a sentir os sintomas de covid-19 na família. Ele foi internado no Hospital Regional do Gama (HRG), no começo do mês, e precisou ser intubado após o agravamento da doença.

Depois, a mulher de Antônio, a estudante Simone Maria da Silva, de 46 anos, também começou a sentir os sintomas da covid-19. Ela foi internada no mesmo hospital. Em seguida, Raimunda, de 71 anos, mãe de Simone, também se infectou com o novo coronavírus e foi internada no HRG.

Óbitos

Da família Silva, Simone foi a primeira a não resistir à doença e faleceu no dia 18 de março. A moradora do DF deixou outros dois filhos, de 4 e 12 anos.

De acordo com o marido, ela já estava “muito fragilizada”, por ter visto dois pacientes ao lado dela morrerem e também por saber que a mãe e o filho estavam doentes.

“A mãe dela estava em estado grave, o filho tinha sido intubado e transferido para o hospital de Santa Maria, e isso aí tocou nela profundamente”, conta Antônio.

Uma semana depois da morte da mulher, o mecânico perdeu a sogra. E no último domingo (28), o filho, Stênio, de 26 anos, também morreu.

“Minha esposa deixou dois filhos pequenos. Eu estava com ela há 30 anos. Quando a gente resolveu ficar juntos, eu era menor de idade ainda, e ela também”, lembra.

Covid no DF

Nesta quarta-feira (31), o Distrito Federal confirmou 117 mortes e 1.253 novos casos de covid-19. Foi o dia com o maior número de óbitos desde o começo da pandemia na capital.

O total de vítimas chega a 6.029, e os infectados somam 344.364, segundo dados da Secretaria de Saúde (SES-DF).

De acordo com o infectologista Jonas Brant, Brasília vive um cenário de incapacidade assistencial. “A rede está sobrecarregada. As pessoas estão começando a morrer por falta de atenção médica. Procedimentos simples, que poderiam salvar a vida das pessoas, começam a não ser possíveis de serem ofertados”, afirma.

“Nos próximos dias vamos viver cenários trágicos na nossa cidade. Todos os especialistas são unânimes em recomendar um lockdown extremamente rígido, de pelo menos 10 a 15 dias, para que a gente possa ver uma redução importante no número de casos”, explica o médico.

Até as 18h10 desta quarta, a ocupação de leitos em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) na rede pública, por pacientes com covid-19, era de 97,05%. Já rede particular, 97,90% das vagas estavam em uso.

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