Ex-Secretário da Segurança Pública, o deputado estadual Enio Bacci lamentou ontem que o seu partido, o PDT, mantenha-se solidário à presidente Dilma Rousseff. Bacci afirma que “não acredito em golpe, me não há qualquer semelhança hoje,com a Legalidade, liderada por Leonel Brizola em 1961”. Explicou que “aquele episódio surgiu pelo descumprimento da Constituição, quando foi negada posse ao vice-presidente da República João Goulart, depois da renúncia de Jânio Quadros”.
Bacci rejeitou ainda semelhanças com o golpe militar de 1964 “que destituiu um governo eleito pela força” e afasta comparações entre o ex-presidente Lula e a presidente Dilma com Getúlio Vargas ou Brizola, “que tiveram outros procedimentos diante das acusações de corrupção: Vargas se suicidou e Brizola sempre afastou assessores envolvidos em denúncias”. Se há semelhança, afirma Bacci, “essa está com o impeachment do ex-presidente Fernando Collor acusado pelo irmão,”que revelou o esquema de corrupção liderado por Paulo César Farias,beneficiando o então presidente da República”.
Para ele, “os questionamentos ao vice-presidente Michel Temer, de que não poderia assumir, é que configuram golpe,uma vez que é o titular do cargo, a menos que contra ele existam denúncias consistentes. O governo está paralisado e sem credibilidade, com a economia desmoronando e o clima de denúncia e corrupção é insustentável. O caminho deve e encurtado”, afirma.
Governo perdeu o PMDB
A perda do PMDB significa muito mais que 69 deputados federais e 18 senadores, e os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. A decisão do PMDB de romper com o governo da presidente Dilma Roussef provoca um efeito cascata que levará até o final da semana, na merda estimada de mais 140 deputados na Câmara Federal. Hoje, o PP reúne-se hoje às 11 horas em Brasília, com tendência majoritária de abandonar o governo. PTB também deve fazer o mesmo. O PSD liberou seus parlamentares.
Governo começa a ter perdas na bancada
O governo federal foi surpreendido ontem pela decisão do senador Walter Pinheiro,da bancada do PT, de deixar o partido. Ele não anunciou se vai se filiar a outro partido.
Fontana denuncia manobra de Cunha para salvar mandato
Uma resolução da mesa diretora da Câmara dos Deputados que altera a distribuição de vagas de todos os órgãos da Casa compostos com fundamento no princípio da proporcionalidade partidária, levando em conta as mudanças de partido ocorridas recentemente significa uma manobra, denuncia o deputado federal Henrique Fontana (PT). Segundo ele, “ a manobra desrespeita o voto popular que elegeu em 2014 o tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados. É um golpe escandaloso a tentativa do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, tentar alterar o regimento interno da Casa para mudar a composição do Conselho de Ética e salvar seu mandato”.
