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Balança comercial do Brasil resiste a crises e deve ter o segundo maior superávit da história

As oscilações no preço do barril do petróleo neste ano têm contribuído de forma significativa para os bons números das exportações brasileiras. (Foto: Reprodução)

Mesmo com os choques externos decorrentes das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos e da guerra no Oriente Médio, a balança comercial brasileira segue resiliente e caminha para atingir, em 2026, o segundo maior superávit da história. As oscilações no preço do barril do petróleo neste ano têm contribuído de forma significativa para os bons números das exportações brasileiras. Em outubro, as cotações do petróleo tipo Brent (referência internacional) avançaram 14,3%.

As mudanças no cenário externo levaram o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) a rever duas vezes sua projeção para o superávit da balança comercial deste ano. Inicialmente, na estimativa apresentada em abril, a expectativa era de um superávit de US$ 72,1 bilhões, que subiu para US$ 90 bilhões em julho. No início de outubro, o Mdic ajustou sua projeção para US$ 84,4 bilhões – influenciado pela redução relativa no preço do barril.

O ministério estima US$ 382,5 bilhões em exportações, valor 9,8% maior do que no ano passado, e US$ 298,1 bilhões em importações, 6,4% a mais do que em 2025.

Caso se concretize a projeção atual, o saldo será o segundo melhor superávit comercial já registrado, atrás apenas do de 2023, que somou US$ 98,9 bilhões. Esse saldo ainda se confirmado, será 24% maior do que o obtido em 2025, quando houve superávit de US$ 68,1 bilhões.

Segundo os dados mais recentes – de janeiro até a terceira semana de outubro –, a balança comercial brasileira acumula superávit comercial de US$ 68,4 bilhões no ano, com US$ 305,7 bilhões em exportações e US$ 237,3 bilhões em importações.

Para o economista responsável pela área de private na Eleva Invest e especialista em Relações Internacionais pela Columbia University, Gabriel Cintra, os US$ 84,4 bilhões de superávit projetados pelo Mdic são críveis, mas ainda representam uma projeção mais otimista do que a mediana do mercado. No Relatório Focus da segunda-feira, dia 19, a mediana para o superávit comercial esperado para o ano era de US$ 80,15 bilhões. “O mercado vem ficando mais otimista, porém ainda projeta menos que o governo. Eu tomaria os US$ 80 bilhões como mais factível”, disse Cintra.

“Para chegar aos US$ 84,4 bilhões, faltam aproximadamente US$ 16,05 bilhões entre o restante de outubro e dezembro. Minha avaliação é que isso é plausível, diante do desempenho recente, mas depende da continuidade dos embarques, dos preços das commodities e das importações”, acrescentou. Para 2027, a projeção do mercado é que o saldo da balança comercial seja menor que o deste ano, de US$ 79,7 bilhões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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