Na primeira reunião após as eleições, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira, interromper o ciclo de cortes da taxa básica de juros, a Selic, e manteve a taxa em 13,75% ao ano.
A Selic permanece no patamar mais baixo desde março de 2025, quando estava em 13,25%.
A decisão era esperada pelo mercado, diante das incertezas em relação à condução da política fiscal do governo do presidente Lula, eleito para o quarto mandato.
A trajetória de queda da taxa teve início em março deste ano, quando a Selic estava em 15%, patamar mantido desde junho de 2025. Desde o começo desse ciclo, o Copom reduziu os juros em 0,25 ponto percentual (p.p.) por cinco vezes consecutivas.
Os dados do boletim semanal Focus, do Banco Central, mostram mudanças nas projeções do mercado para a Selic após a vitória do presidente Lula no segundo turno das eleições. As estimativas feitas na penúltima semana de outubro indicavam uma taxa de 13,25% no final deste ano, com um corte na reunião de novembro e outro na seguinte, marcada para os dias 8 e 9 de dezembro.
Contudo, houve uma deterioração das expectativas do mercado, com a alta do dólar e da cotação do petróleo, fatores que pressionam a inflação, além da elevação dos juros futuros, decorrente do aumento das preocupações com a dívida pública.
O mercado financeiro migrou em peso para a aposta na manutenção da Selic em 13,75% após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo comando do Palácio do Planalto a partir de 2027.
Antes, havia uma expectativa majoritária de um corte adicional de 0,25 ponto percentual na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, diante dos sinais de desaceleração da atividade econômica.
O movimento que se seguiu ao pleito é justificado pelos agentes do mercado pelo aumento do risco fiscal e pela disparada do dólar, que acumulou alta de 9% na semana passada, com efeitos diretos sobre a inflação que o Banco Central busca combater.
Parte da depreciação cambial brasileira é resultado de um reposicionamento do mercado após a vitória de Lula, uma vez que era majoritária a expectativa de vitória de Flávio nas urnas. Além disso, a alta do dólar reflete a baixa expectativa de um ajuste fiscal robusto em um novo governo petista.
O IPCA, índice oficial de inflação, também está acima da meta, com alta de 4,58% em 12 meses até setembro. A autoridade monetária utiliza a taxa básica de juros para conduzir a inflação à meta de 3% dentro do horizonte relevante, que, nesta reunião, corresponde ao segundo trimestre de 2028.
Considerando o intervalo de tolerância, a meta é considerada cumprida quando a inflação fica entre 1,5% e 4,5%. Atualmente, a Selic está em 13,75% ao ano, patamar ao qual chegou após cinco cortes de 0,25 ponto percentual em um ciclo iniciado em março deste ano.
