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Banco Central não sabe qual será a taxa básica de juros no fim do atual ciclo de altas, diz Campos Neto, seu presidente

De acordo com Campos Neto, as instituições financeiras participaram do desenvolvimento da ferramenta de pagamento. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou que a autoridade monetária não sabe qual será a taxa básica de juros no fim do atual ciclo de altas.

“A gente falou bastante que discutimos aumentos maiores, o quão longo deveria ser o ciclo, qual era a taxa terminal, o que poderia ser a taxa terminal”, disse ele, em entrevista coletiva. “Mas na verdade nós não comunicamos e não sabemos qual é a taxa terminal.”

Segundo Campos Neto, o BC “entende que tem um movimento mais persistente” de inflação que “pode demandar um ciclo mais longo” de elevações da Selic. “Esse é um tema da decisão de cada reunião do Copom”, disse. Mas ele destacou que há “uma volatilidade nos dados de curto prazo muito grande”.

“A gente tem tentado abstrair o ruído de curto prazo e categorizar o que tem
acontecido de estrutural na inflação”, afirmou. De acordo com Campos Neto, o BC continua “dando pesos iguais” às metas de inflação de 2022 e 2023. A afirmação foi feita após pergunta sobre possível mudança no horizonte relevante da política monetária. “A gente segue o padrão normal”, disse.

Já o diretor de política econômica do BC, Fabio Kanczuk, afirmou que “os coeficientes” de inércia inflacionária “chacoalharam na pandemia” e possivelmente caíram. “Mas a gente usa o coeficiente anterior”, disse.

Campos afirmou ainda que o BC “não pretende divulgar meta para atividade e emprego”. Ele destacou que o BC tem “meta primária para a inflação”. “A suavização da atividade está muito ligada à meta de inflação”, disse ele, ao acrescentar que “lutar pela meta de inflação contribui para as  outras metas”.

Cenário básico

Campos Neto reiterou que o cenário básico da instituição considera que não haverá novos eventos que piorem o lado fiscal no ano que vem. “A gente entende que boa parte do debate que poderia ser feito no ano que vem no âmbito fiscal foi decidido com o movimento recente de precatórios, como foi votado, como foi feito e qual o espaço que isso abriu”, disse o chefe da autoridade monetária.

“Vamos observar os próximos passos, sempre entendendo que o câmbio é flutuante”, completou ele, após ter dito que a incerteza fiscal afetou a taxa de câmbio.

Câmbio

O presidente do Banco Central reforçou que houve nas últimas semanas “um fluxo maior de saída” de recursos, o que exigiu mais intervenções no câmbio. “O câmbio é flutuante, não existe meta para o câmbio”, disse. “O que a gente percebeu nas últimas semanas foi um fluxo maior de saída.”

Segundo ele, parte desse movimento está ligada a remessas de dividendos.

“Quando tem movimentos pontuais de saída, a gente faz essas intervenções”, disse. Campos afirmou ainda que “todos os riscos, e o fiscal é um deles, influenciam a percepção do câmbio.”

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