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Banco Suíço vê o PIB do Brasil crescendo 2,5% já no ano que vem

É hora de que os políticos pensem, ao menos momentaneamente, no País e não nos seus interesses eleitorais.(Foto: Agência Brasil)

A economia brasileira deverá crescer 1,2% neste ano e 2,5% no ano que vem, numa trajetória liderada pelo consumo das famílias e pelo investimento privado, diz o economista-chefe do Credit Suisse, Leonardo Fonseca. Divulgada na terça-feira, a expansão de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre em relação ao trimestre anterior, feito o ajuste sazonal, dá mais conforto para o banco em sua projeção de um avanço mais forte para a economia no que vem, segundo ele. “Já se começa a ver o consumo e o investimento reagindo”, diz Fonseca. Ele observa que, se confirmada a estimativa de um crescimento de 2,5% em 2020, será o melhor desempenho da economia desde 2013. Para 2021, o banco projeta avanço de 2,7%. As informações são do jornal Valor Econômico.

O economista destaca o cenário favorável para o consumo das famílias, mencionando primeiro o aumento do crédito, num quadro marcado pela queda expressiva dos juros. Está em curso uma expansão mais forte de empréstimos e financiamentos para pessoas físicas, diz ele. Além disso, o mercado de trabalho se recupera, com sinais de maior criação de vagas no setor formal nos últimos meses.

Com o crédito em expansão e a e a melhora do mercado de crédito, o consumo privado deve crescer 3% no ano que vem, avalia ele, que vê um ritmo de 2,1% neste ano. Além disso, um fator temporário vai ajudar a demanda das famílias, especialmente no quarto trimestre de 2019 – a liberação de R$ 42 bilhões de recursos das contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Isso deve fazer o PIB dos três últimos meses deste ano acelerar e crescer algo como 0,8% a 0,9% em relação ao trimestre anterior, calcula o economista do Credit Suisse. Essa injeção de dinheiro na economia brasileira faz com que Fonseca fique confortável com a sua projeção de crescimento de 1,2% para este ano.

As perspectivas para o investimento também são positivas, afirma o economista, que fará hoje a tradicional apresentação de fim de ano das projeções do banco para os clientes. O quadro de crédito em expansão e juros mais baixos também favorece as decisões das empresas de investir na modernização e expansão da capacidade produtiva, segundo ele. Outro ponto importante é a redução das incertezas domésticas – a aprovação da reforma da Previdência, por exemplo, melhorou a percepção sobre a sustentabilidade das contas públicas. Além disso, o governo mostra disposição de aprovar medidas para prosseguir com o ajuste fiscal e cumprir o teto de gastos. “A redução da incerteza fiscal reduz a incerteza sobre o crescimento futuro”, resume Fonseca, citando ainda a melhora das condições financeiras, devido à combinação de menor aversão ao risco, juros mais baixos, expansão do crédito e alta do mercado de ações.

Tudo isso forma um quadro mais favorável para o investimento privado, diz Fonseca, observando que não virá do setor público o impulso para a formação bruta de capital fixo (FBCF, medida do que se investe na construção civil, máquinas e equipamentos e inovação), dado o quadro de restrição fiscal de União, Estados e municípios, observa ele. Já o cenário externo, marcado por incertezas sobre desaceleração da economia global, num ambiente de guerra comercial entre EUA e China, é um fator que joga contra o investimento. Nas contas do Credit Suisse, a formação bruta de capital fixo vai avançar 3,6% neste ano e 5,8% no ano que vem, chegando a 6,5% em 2021. São números positivos, mas não muito fortes, diz Fonseca. Em recuperações de crises anteriores, o investimento crescia a taxas muito maiores, superior a dois dígitos.

Em resumo, o PIB mais forte será puxado pela demanda doméstica privada, diz ele. O governo e as estatais não têm espaço para aumentar gastos, e o setor externo não deverá colaborar com o crescimento, num momento de menor expansão da economia global.

A desaceleração da atividade mundial, aliás, é apontada pelo Credit Suisse como o principal risco para a dinâmica da economia global nos próximos anos. O desempenho dos principais parceiros comerciais do país, casos de EUA, China e União Europeia (UE), pode afetar o Brasil por dois canais, aponta o banco: a redução das exportações e a piora das condições financeiras internacionais.

Do ponto de vista doméstico, o maior risco é a agenda de reformas fiscais e a de produtividade do governo não caminharem no Congresso, segundo Fonseca. O cenário-base do banco, porém, é que essas medidas continuarão a avançar, ainda que o calendário para elas tramitarem no Parlamento no ano que vem seja mais curto, por causa das eleições municipais.

Fonseca enfatiza a importância da aprovação da reforma da Previdência neste ano e da expectativa de que a agenda fiscal siga em curso para os cenários fiscais dos próximos anos.

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