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Bancos cortam previsão de crescimento do PIB do Brasil em 2027, com mais juros e inflação

O crescimento menor se dará por causa dos juros mais altos, que desestimulam o consumo das famílias e os investimentos. (Foto: ABr)

Uma conjunção de fatores, com destaque para o desequilíbrio das contas do governo e para choques de oferta nos preços de alimentos e combustíveis, está reduzindo a perspectiva de alívio nos juros ao longo de 2027, levando instituições financeiras a projetar uma economia ainda mais lenta no ano que vem.

Nas análises de Bradesco, Itaú, C6 Bank, Inter, PicPay e XP Investimentos, a desaceleração não será suficiente para arrefecer a inflação, turbinada também pela alta do dólar. As projeções aproximam o país da estagnação, com o crescimento econômico podendo variar de 0,3% a 1,2%.

A XP Investimentos reduziu a estimativa de alta do Produto Interno Bruto (PIB, a soma do valor de todos os bens e serviços produzidos na economia) de 1% para 0,3% em 2027. O Bradesco cortou de 1% para 0,4%; o Itaú, de 1,2% para 0,5%; e o Inter, de 1,5% para 0,7%. O C6 está mais otimista, mas também revisou para baixo, de 1,7% para 1,2%.

Dinheiro mais caro

O crescimento menor se dará por causa dos juros mais altos, que desestimulam o consumo das famílias e os investimentos. O Itaú abandonou a previsão de Taxa Selic — o juro de referência da economia, fixado pelo Banco Central (BC) — a 12,50% ao ano no fim de 2027, enquanto a XP deixou de projetar 11,50%. Ambos agora esperam manutenção nos 13,75% ao ano de hoje, assim como o C6.

O Inter elevou sua estimativa de 11% para 12,50%; e o PicPay, de 11,50% para 12,50%. O Bradesco prevê retomada dos cortes no segundo semestre, com juros de 12,75% ao ano no fim de 2027.

Mesmo com o alívio final, para o Bradesco, o crescimento econômico será baixo. O economista-chefe do banco, Fernando Honorato, observa que a atividade já mostra moderação, apesar das medidas de estímulo lançadas ao longo de 2026 — o banco projeta queda de 0,2% já no PIB do terceiro trimestre deste ano, indicador que será divulgado em 2 de dezembro pelo IBGE.

“Há forças (por exemplo, restrição monetária, desalavancagem das famílias e perda de confiança dos empresários) que estão reforçando o enfraquecimento da atividade”, escreve Honorato, em relatório.

A XP Investimentos destaca o crédito mais restrito e o endividamento de famílias e empresas como obstáculos. Os analistas da instituição também consideram uma menor contribuição da agropecuária e o esgotamento de parte dos estímulos lançados pelo governo.

André Valério, economista sênior do Inter, atribui as revisões para baixo no crescimento à perspectiva de desequilíbrio nas contas do governo. O risco fiscal também pressiona a taxa de câmbio, e um dólar mais alto encarece importados e matérias-primas cotadas na divisa americana, como é o caso de vários alimentos, causando inflação.

— A ausência de um ajuste que garanta melhor sustentabilidade da trajetória da dívida pública impede que as taxas de juros recuem de maneira significativa — diz Valério.

Acima de 5%

As seis instituições financeiras passaram a prever inflação superior a 5% em 2027. A maior revisão para cima veio do Itaú: de 4,6% para 6,1%. A XP elevou a previsão de 4,4% para 5,5%; o Bradesco, de 4,1% para 5,3%; o C6, de 5% para 5,2%; e o Inter, de 3,8% para 5,1%. O PicPay também passou a estimar IPCA de 5,1%.

Além do dólar mais elevado, o Itaú leva em conta a volta da tributação federal sobre a gasolina e a retirada dos subsídios ao diesel — medidas para mitigar os efeitos negativos da guerra dos EUA contra o Irã nos preços dos combustíveis. E efeitos da Reforma Tributária e da redução da jornada de trabalho, que poderão elevar os custos das empresas.

— Temos visto as economias avançadas subindo os juros, e o preço de petróleo, ainda que tenha caído um pouco nos últimos dias, na média, está mais alto do que estava antes do conflito no Oriente Médio — diz Julia Gottlieb, economista do Itaú.

Matheus Pizzani, economista do PicPay, reforça o peso dos choques de oferta. Chuvas excessivas em algumas regiões e estiagem em outras deverão encarecer alimentos, com impacto mais intenso sobre a inflação no primeiro trimestre de 2027.

— E o encarecimento do diesel deve ser sentido sobre uma ampla gama de itens, via aumento no custo de transporte, se espalhando por preços desde o setor agropecuário até os serviços — diz Pizzani. (Com informações do portal O Globo)

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