Os bancos brasileiros planejam levar ao governo e ao Banco Central (BC), nos próximos dias, novas propostas de medidas para baratear o crédito às vítimas de enchentes no Rio Grande do Sul no esforço de reconstrução do Estado.
Uma das ideias discutidas é propor a suspensão da cobrança de IOF (Imposto sobre operações financeiras) incidente sobre operações de empréstimos e financiamentos para clientes gaúchos. As maiores instituições financeiras do país já anunciaram medidas que incluem postergação de parcelas e reduções de taxas. A isenção do imposto permitiria uma queda adicional dos encargos, diz uma fonte a par das discussões.
Outra proposta é que o BC reedite uma resolução adotada na pandemia de covid-19 que permitiu que os clientes afetados naquela ocasião não tivessem suas notas de crédito — ou rating — agravadas com os atrasos nos pagamentos. Na vida normal, quando um cliente se torna inadimplente, o banco precisa provisionar recursos para fazer frente a uma potencial perda e, eventualmente, tem de baixar aquela operação para prejuízo. Ao se retirar essa exigência, a instituição ganha fôlego para prorrogar contratos e oferecer taxas mais razoáveis.
Na pandemia, os bancos prorrogaram centenas de bilhões de reais em contratos de crédito de empresas e pessoas físicas. Segundo uma fonte do setor, a ideia é que o BC faça o mesmo agora, mas numa versão específica para os clientes gaúchos.
Uma terceira demanda é que, em operações com bancos privados, os clientes da região também sejam dispensados de apresentar certidão negativa de débito para contratações e renegociações de crédito. O governo abriu essa possibilidade hoje apenas para os bancos públicos.
Executivos de bancos ouvidos pelo jornal Valor Econômico consideraram positivas as medidas anunciadas pelo governo para facilitar o crédito às vítimas. A Fazenda anunciou um reforço nos recursos para o Pronampe e o Peac FGI, duas linhas voltadas a empresas criadas na pandemia e que funcionam com cobertura do Tesouro contra inadimplência.
A percepção de executivos do setor financeiro é a de que, assim como na covid-19, as pequenas empresas serão as mais afetadas, já que em sua maioria são totalmente dependentes de e fornecedores locais.
No entanto, as instituições financeiras ainda não têm clareza de quanto dinheiro será necessário quando a emergência passar e se entrar na fase de reconstrução. Cada banco está fazendo um levantamento de clientes afetados e deve apresentá-lo à Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) para que se tenha alguma estimativa do impacto total.
Executivos dos bancos têm feito uma série de reuniões nos últimos dias para tratar da crise, num modelo que lembra o que adotaram na pandemia, quando muitas das decisões foram tomadas de forma setorial.
O assunto tem sido tratado como prioritário e a percepção é a de que o estrago para os clientes será grande, ainda que analistas financeiros esperem impacto pequeno nos balanços dos bancos. As informações são do jornal Valor Econômico.
