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Bancos precisariam de 3,4 bilhões de reais para cobrir calote de empreiteiras da Petrobras

O Banco Central informou que não foi considerada a possibilidade de quebra da Petrobras. (Foto: Daniel Scelza/Folha Imagem)

O BC (Banco Central) calcula que o sistema financeiro nacional tem condições de suportar uma onda de calotes de e empresas envolvidas na Operação Lava-Jato, da PF (Polícia Federal), e também de companhias ligadas a estes grupos econômicos.

Na hipótese de inadimplência de todas essas empresas, nenhuma instituição ficaria insolvente. E a necessidade de capital para que os bancos cobrissem suas perdas seria de 3,4 bilhões de reais, o que equivale a 0,4% da parcela do patrimônio das instituições que serve de referência para medir a saúde dos bancos.

“Evidentemente que, nas hipóteses mais extremas, a rentabilidade do Sistema Financeiro Nacional seria impactada de forma ainda mais severa”, enfatizou o BC em seu Relatório de Estabilidade Financeira divulgado nessa quinta-feira.

Segundo o BC, se fossem consideradas apenas as empresas mais vulneráveis, a rentabilidade do sistema seria bastante afetada, mas nenhuma instituição financeira ficaria insolvente. Nesse caso, o impacto da inadimplência geraria necessidade de recapitalizar os bancos em 130 milhões de reais.

“As simulações feitas indicam que o sistema financeiro teria condições de absorver os impactos de default das empresas mais vulneráveis citadas na Lava-Jato e seu respectivo contágio, incluindo o inadimplemento de empresas fornecedoras e dos seus funcionários”, informou a autoridade monetária.

Petrobras

“Isso tem um impacto relevante no sistema financeiro em termos de rentabilidade, mas o sistema tem proteção suficiente mesmo para enfrentar situações mais radicais desse caso Lava-Jato”, afirmou o diretor de Fiscalização do BC, Anthero Meirelles.

O BC afirmou que não divulgaria detalhes sobre o estudo, como número de empresas utilizadas em cada cálculo ou qual seria a queda na rentabilidade. Informou apenas que não foi considerada a possibilidade de quebra da Petrobras.

Nas simulações, foi considerada a quebra das prestadoras de serviço da estatal e o impacto sobre companhias que dependentes delas e sobre funcionários.

“Simulamos até a quebra de todas essas empresas. Quebrar é não pagar nada, você destruiu todo o valor desses grupo econômicos. Não simulamos a quebra da Petrobras”, disse.

No estudo também não foi calculada a probabilidade desses cenários de inadimplência se confirmarem ou não. Conforme o BC, isso seria algo muito difícil de se calcular.

Inadimplência

O diretor do BC afirmou esperar aumento da inadimplência de consumidores e empresas no segundo semestre de 2015, mas afirmou que os indicadores devem ficar “em patamares historicamente confortáveis”.

Disse ainda que os bancos possuem um colchão de recursos provisionados capaz de suportar o aumento desses atrasos.

Sobre o endividamento das empresas brasileiras em moeda estrangeira, o BC calcula que as dívidas que não possuem proteção (hedge) passaram de 3,1% do PIB (Produto Interno Bruto) em dezembro de 2014 para 3,3% em junho de 2015, aumento provocado pelo câmbio.

“É um percentual pequeno do PIB, o que nos dá um conforto”, disse Meirelles. (Folhapress)

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