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Bandeiras pretas continuam em todo o mapa gaúcho pela terceira semana consecutiva

Situação é de agravamento em todos os indicadores epidemiológicos. (Foto: Divulgação/Palácio Piratini)

Pela terceira semana consecutiva, o Rio Grande do Sul terá todas as suas regiões sob bandeira preta (altíssimo risco epidemiológico) no sistema de distanciamento controlado. A pior situação sanitária já enfrentada pelo Estado em sua história recente apresenta agravamento nos indicadores referentes à pandemia de coronavírus, com intensa pressão sobre a estrutura hospitalar.

O mapa da 45ª rodada do modelo já havia sido antecipado pelo governador Eduardo Leite e teve a sua confirmação oficial na tarde desta sexta-feira (12), por meio do site estado.rs.gov.br.

Mesmo se considerada a alta de 3% no número de leitos de UTI e a baixa nas internações por outras causas, a elevação do contingente de internados por causa da Covid nas unidades de terapia intensiva manteve a ocupação quase que total dessas estruturas, inclusive fora dos leitos regulares, indicando operação acima da capacidade em várias regiões.

Por conta da redução nos indicadores referentes a leitos de UTI, poderiam ter retornado à bandeira vermelha (alto rsico) as “Regiões-Covid” de Bagé e Pelotas, mas o Comitê de Crise voltou a acionar o mecanismo de salvaguarda que aplica automaticamente o nível máximo para todas as áreas, a fim de evitar colapso na regulação de leitos e viabilizar transferências de pacientes.

Na 43ª rodada (semana retrasada), o Rio Grande do Sul tinha 229 leitos livres de UTI para pacientes de coronavírus. Já a 44ª rodada (semana passada) teve déficit de 25 e agora essa diferença negativa é de 213. O governador Eduardo Leite foi além na comparação:

“Para se ter uma ideia, há 30 dias tínhamos 800 pessoas em leitos de UTI confirmadas com Covid. Passamos para 2,4 mil pessoas em um mês. Se esse ritmo continuasse, teríamos de triplicar o número de leitos, o que é inviável. Esse é o tamanho do nosso drama”.

Mesmo tendo ampliado em 137% a capacidade hospitalar desde o início da pandemia, Leite reafirmou que o Estado segue fazendo todo o esforço possível para seguir expandindo os leitos de UTI. Há, ainda, previsão de abertura de mais 183 unidades nos próximos dez dias.

“Não há no mundo um país que tenha conseguido superar o coronavírus, ou pelo menos conviver com o vírus, apenas com aumento de leitos, porque a solução efetiva é a vacina”, prosseguiu Leite, acrescentando que:

“Como ainda estamos com dificuldade a nível nacional de imunizar massivamente e de forma rápida a população, a situação nos demanda habilidade para melhorar a convivência, buscando equilíbrio entre economia e saúde. Sempre tendo claro que saúde e a vida precisam vir acima de qualquer outra coisa, especialmente em um momento crítico como esse que estamos vivendo”.

Agravamento

Todos os 11 indicadores monitorados com relação à velocidade de propagação do coronavírus e capacidade de atendimento hospitalar apresentaram piora nesta semana, mesmo calculados com base em números recordes da rodada anterior.

Destacam-se, nesse contexto, o número de registros de novas hospitalizações (19%), internados em leitos clínicos (27%), internados em UTI (19%) e óbitos (54%), contabilizando 1.343 perdas humanas em apenas sete dias. Vale lembrar que na terça (9) e na quinta-feira (11) foram registrados os dois maiores contingentes de mortos em um único boletim da Covid no Estado: 275 e 276, respectivamente.

Por conta desse cenário e em uma tentativa de conter a piora dos indicadores, o governador antecipou na semana passada que o Estado permaneceria todo em bandeira preta pelo menos até o dia 21 de março e com a suspensão da cogestão, não permitindo a flexibilização dos protocolos pelas prefeituras.

Em reunião com representantes de setores empresariais nesta sexta-feira, a secretária da Saúde, Arita Bergmann, lembrou que as regras mais rígidas são temporárias e se fazem necessárias diante da impossibilidade de parar o vírus até que se tenha a expansão da vacinação:

“A esperança é de começarmos a ver [ao fim desse período] os primeiros reflexos dessa parada estratégica de atividades econômicas para que tenhamos uma redução no número de casos novos e de interações. Talvez a queda de óbitos ainda não se perceba na próxima semana, mas na terceira quem sabe possamos colher os frutos dos sacrifícios que todos estão fazendo”.

(Marcello Campos)

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