A cotação do petróleo voltou a subir e se aproximou novamente da marca de US$ 100 por barril, à medida que o mercado reduziu as apostas em uma solução rápida para o conflito entre Estados Unidos e Irã. Nessa quarta-feira (3), o Brent para agosto avançou 1,89%, a US$ 97,81 por barril, enquanto o WTI para julho subiu 2,4%, a US$ 96,02. Com isso, a commodity acumulou o terceiro pregão consecutivo de valorização.
O movimento marca uma reviravolta em relação ao clima predominante na semana passada, quando investidores chegaram a apostar que um acordo temporário entre Washington e Teerã poderia aliviar as tensões no Oriente Médio e abrir caminho para a normalização do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.
A expectativa perdeu força depois de uma nova rodada de ataques entre os dois países e da ausência de avanços concretos nas negociações diplomáticas.
O temor dos investidores continua concentrado no Estreito de Ormuz, corredor marítimo por onde passa aproximadamente um quinto de todo o petróleo consumido no mundo.
Qualquer ameaça à navegação na região tem potencial para afetar rapidamente a oferta global da commodity e provocar novos saltos de preços.
Nos últimos dias, o mercado voltou a monitorar movimentações militares próximas ao estreito, além de declarações de autoridades iranianas reforçando posições consideradas inegociáveis, incluindo o controle sobre a região e questões relacionadas ao programa nuclear do país.
Mesmo sem interrupções efetivas no fluxo de petróleo, a simples possibilidade de novos episódios envolvendo Ormuz tem sido suficiente para manter elevada a volatilidade dos contratos futuros.
A recuperação do petróleo também recoloca no radar uma preocupação que vinha perdendo força nos mercados globais: o impacto da energia sobre a inflação.
Nos Estados Unidos, investidores acompanharam nessa quarta-feira a divulgação do Livro Bege do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). Segundo o relatório, os distritos destacaram que os custos relacionados à energia, impulsionados pelo conflito no Oriente Médio, foram o principal fator por trás das pressões inflacionárias, com efeitos indiretos sobre os custos de transporte, embalagens, alimentos e fertilizantes.
A preocupação é que uma nova rodada de alta da commodity dificulte o processo de desaceleração inflacionária justamente quando o Fed busca avaliar o momento adequado para iniciar cortes de juros.
O vice-presidente da autoridade monetária americana, Philip Jefferson, já alertou recentemente que os Estados Unidos continuam vulneráveis a choques energéticos, mesmo ocupando posição relevante entre os produtores globais de petróleo.
Na Europa, o Banco Central Europeu também destacou que a guerra no Oriente Médio representa um risco simultâneo para inflação e crescimento econômico, especialmente se houver novas interrupções nas rotas marítimas da região. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
