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Beber muito num só dia pode ser mais perigoso para o fígado do que beber pouco todo dia, diz estudo

Consumo excessivo episódico triplica risco de fibrose hepática; condição afeta até 29% dos adultos brasileiros. (Foto: Freepik)

Um estudo recente acendeu um alerta para pessoas com doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), condição que atinge entre 18% e 29% dos adultos brasileiros. A pesquisa indica que o consumo episódico excessivo de álcool pode aumentar de forma significativa o risco de desenvolvimento de fibrose hepática nesses pacientes.

Nesse contexto, o consumo excessivo é caracterizado pela ingestão de quatro ou mais doses de bebida alcoólica em uma única ocasião para mulheres — o equivalente a quatro latas de cerveja com teor alcoólico de 5% —, ou cinco ou mais doses para homens, ao menos uma vez por mês.

O levantamento utilizou dados da Pesquisa Nacional de Exame de Saúde e Nutrição dos Estados Unidos, com informações de mais de 8 mil adultos coletadas entre 2017 e 2023.

Os resultados contrariam a percepção comum de que episódios isolados de consumo elevado de álcool não trariam prejuízos relevantes à saúde. De acordo com os pesquisadores, indivíduos que concentram a ingestão em um único dia apresentam risco até três vezes maior de desenvolver fibrose hepática avançada, em comparação com aqueles que distribuem o mesmo volume ao longo de vários dias.

Especialista em transplante de fígado e um dos autores do estudo, Brian Lee afirma que os dados representam um alerta importante para a prática clínica. “Tradicionalmente, os médicos avaliam a quantidade total de álcool consumida, mas não necessariamente a forma como ele é ingerido”, destaca.

Embora a pesquisa tenha como foco pacientes com DHGNA, o pesquisador ressalta que os achados podem ter implicações mais amplas. “Essas conclusões também podem ser relevantes para outros grupos da população”, afirma.

O estudo ainda chama atenção para a alta frequência desse padrão de consumo. Segundo Lee, mais da metade dos adultos relata ao menos um episódio de ingestão excessiva de álcool, o que reforça a necessidade de aprofundar o tema. “É fundamental ampliar o entendimento sobre como esse comportamento impacta o fígado, para aprimorar estratégias de prevenção e tratamento das doenças hepáticas”, conclui.

Além disso, especialistas apontam que a combinação entre DHGNA e consumo alcoólico, mesmo que esporádico, pode acelerar a progressão de danos hepáticos, elevando o risco de complicações como cirrose e insuficiência hepática. A recomendação, nesses casos, é que pacientes com a condição adotem cautela redobrada em relação ao consumo de bebidas alcoólicas.

Os pesquisadores também destacam a importância de políticas de saúde pública e campanhas de conscientização que abordem não apenas a quantidade, mas o padrão de consumo de álcool. A avaliação mais detalhada desse comportamento pode contribuir para diagnósticos mais precoces e estratégias mais eficazes de acompanhamento clínico.

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