Durante 32 dias após a interdição da Vigilância Sanitária, em 29 de setembro, a clínica Bracca, do biomédico Rafael Bracca – preso na quarta-feira (1°) –, continuou realizando procedimentos estéticos invasivos. Duas pacientes contaram ao portal de notícias G1 que fizeram intervenções com aplicações no mês de outubro.
De acordo com a Vigilância Sanitária do Distrito Federal, a clínica está sob ação fiscal desde 2022 e foi interditada pela falta de licença sanitária e por realizar procedimentos invasivos sem o devido licenciamento. A defesa do biomédico afirma que a clínica só realizava consultas na área de nutrição.
Em fevereiro, o local foi autuado em ação conjunta da Vigilância Sanitária com a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por “não atender a legislação sanitária de segurança do paciente e pela presença de diversos medicamentos sem rotulagem, fracionados sem identificação além da presença de medicamentos proscritos”.
A Vigilância Sanitária diz que a clínica está impedida de realizar procedimentos invasivos e as seguintes atividades foram interditadas:
– Atividade estética e outros serviços de cuidados com a beleza;
– Atividades de procedimentos da área de saúde não especificada anteriormente;
– Atividades médica ambulatorial restrita a consulta.
A clínica Bracca, em Brasília, funcionava no Centro Médico Lúcio Costa, na Asa Sul. Em São Paulo, o biomédico atendia em Alphaville.
A Polícia Civil do Distrito Federal e o Conselho Regional de Biomedicina investigam a conduta do biomédico que foi denunciado por pacientes que sofreram consequências estéticas e de saúde após procedimentos.
Em entrevista ao G1, duas pacientes da clínica Bracca contaram que realizaram procedimentos invasivos em outubro no estabelecimento da Asa Sul, em Brasília. Uma delas, de 27 anos, disse que a última aplicação do “Protocolo TX-8”, que promete aumento do volume dos glúteos, foi feita no dia 21 de outubro passado.
No mesmo dia, a paciente afirma que fez um outro tratamento que consiste na auto-hemoterapia com ozônio nos glúteos – o sangue é retirado do organismo pelo pulso, misturado ao ozônio e depois aplicado novamente na paciente na região das nádegas.
Uma outra paciente, de 39 anos, também contou que fez o tratamento que utiliza ozônio na quinta-feira passada (26). A comerciante diz que realizou no mesmo dia aplicações de outros produtos como biotina e vitaminas.
No início da tarde de quarta-feira (1°), a advogada de Rafael Bracca, Vanusa Lopes, afirmou que a clínica estava funcionando normalmente. A defesa de Rafael Bracca, disse que a clínica do Distrito Federal não realizava procedimentos invasivos, pois havia um estudo de renovação da licença na Vigilância Sanitária e também há a construção de um posto de enfermagem no estabelecimento. Segundo a defesa, a clínica oferece, atualmente, somente consulta na área de nutrição.
Na terça-feira (31), o biomédico disse que já atendeu mais de 400 pacientes e que algumas podem sofrer intercorrências. “Todas as substâncias que têm na clínica são lícitas e estão registradas na Vigilância Sanitária”, afirmou.
Ele disse também que une os conhecimentos do curso de Nutrição e de Biomedicina para tratar as pacientes. “Injetáveis são de nutrientes. Pacientes são tratados com nutrição, não com droga e medicação”, diz Rafael Bracca.
Segundo o biomédico, depois que as mulheres deixam de realizar o tratamento em sua clínica, elas são responsáveis.
“Fico muito triste porque não queria que isso acontecesse, tem relação direta com imprudência da paciente e o fato dela não aparecer nas datas combinadas para que pudesse ser tratada na forma correta. […] Eu me sensibilizo com as pacientes, inclusive, jamais as portas estarão fechadas e o que precisarem de mim vou estar a disposição”, disse o biomédico. As informações são do portal de notícias G1.
