O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores de São Paulo, a B3, bateu o seu maior patamar no ano nesta terça-feira (6). O indicador não atingia um nível tão alto desde novembro de 2022. A aprovação do marco fiscal na Câmara dos Deputados, a queda acentuada da inflação e a apresentação do relatório da reforma tributária são alguns dos principais fatores que explicam o otimismo dos investidores. O cenário de juros no Brasil e nos Estados Unidos também ficou no radar.
Ao final do pregão, o índice avançou 1,70%, aos 114.610 pontos, no maior patamar do ano. Na véspera, o Ibovespa teve alta de 0,12% e foi aos 112.696 pontos, o maior patamar desde fevereiro. Com o resultado, o índice passou a acumular ganhos de 4,03% no mês e de 2,70% no ano.
Já o dólar fechou em queda nesta terça-feira (6), em dia de agenda econômica esvaziada no Brasil e no mundo, mas com investidores ainda na expectativa pela apresentação do relatório preliminar da reforma tributária. O cenário de juros nos Estados Unidos também ficou no radar.
Ao final da sessão, a moeda norte-americana recuou 0,37%, cotada a R$ 4,9121. Este foi o menor patamar em três semanas.
Na véspera, o dólar teve baixa de 0,46% e caiu aos R$ 4,9303. Com o resultado desta terça, a moeda passou a acumular quedas de 0,83% na semana, de 3,17% no mês e de 6,93% no ano.
– O que está mexendo com os mercados? No Brasil, as atenções seguiram voltadas ao cenário político e econômico, com expectativa pelo relatório preliminar da reforma tributária. A equipe de análise do BTG Pactual destaca que é esperado que o principal ponto do texto seja a criação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA).
Outro ponto de atenção, fica com o cenário inflacionário e de juros no país, conforme investidores aguardam a divulgação do Índica Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, a inflação oficial do Brasil), prevista pra quarta-feira (7).
Na segunda-feira, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, voltou a afirmar que a inflação está melhorando, mas também reiterou que isso ainda ocorre de forma lenta, principalmente nos núcleos.
Entre os indicadores, o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou em maio o maior recuo desde 1947, com deflação dos preços de diesel e grandes commodities aos produtos, renovando no acumulado em 12 meses a maior queda na série histórica. O indicador recuou 2,33% em maio, após queda de 1,10% no mês anterior.
O analista CNPI Vitor Miziara explica que o movimento esperado para essa semana é que os mercados operem “de lado”, ou seja, sem registrar grandes variações, seja para cima ou para baixo, justamente porque a semana não conta com grandes destaques na agenda econômica em nível mundial.
“O mercado, até então, estava subindo porque acabaram, de certa forma, as notícias negativas depois da aprovação da suspensão do teto da dívida nos Estados Unidos na última semana. Ficamos em um patamar onde faltam notícias negativas e faltam notícias positivas”, explica.
O analista destaca, ainda, que um relatório do banco americano JP Morgan divulgado na véspera afirmou que a maioria dos especialistas do mercado consideram que o pior momento para a inflação americana já ficou para trás.
Essa perspectiva faz com que as projeções de altas nas taxas de juros da maior economia do mundo arrefeçam. Se os juros param de subir com força no país, os rendimentos dos títulos públicos americanos – que são considerados os mais seguros do mundo – também se tornam menos atrativos, favorecendo os ativos de risco, como o mercado de ações. As informações são da revista Veja e do portal de notícias G1.
