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Bolsa brasileira e real têm o melhor desempenho desde 2016. Entenda o que levou ao ano positivo nos indicadores

Analistas destacam condições para o benchmark da Bolsa alçar novas máximas históricas. (Foto: B3/Divulgação)

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou 2025 com 34% de valorização, enquanto o dólar comercial registrou desvalorização de 11%. É a maior alta da Bolsa brasileira e a maior queda da moeda americana num único ano desde 2016.

O ano começou amargo, fruto do intenso receio sobre a condução dos gastos públicos no Brasil, e das apostas num fortalecimento da moeda americana sob o governo de Donald Trump.

No início de janeiro, o país vivia um ciclo firme de aumento na Taxa Selic, um dólar ainda acima dos R$ 6 e o principal índice da Bolsa aos 120 mil pontos. Só que, ao longo do ano, o retrato dos indicadores negativos começou a mudar de forma.

O tarifaço de abril, promovido por Donald Trump contra diversos produtos importados, e sua política econômica visando ufomentar a reindustrialização dos Estados Unidos promoveu uma desvalorização do dólar no mundo e uma redução das aplicações no país por parte de investidores globais.

O início do ciclo de corte nos juros pelo Fed (Federal Reserve, o banco central americano) a partir de setembro contribuiu com a saída dos investimentos, e a perspectiva de alívio na taxa básica por aqui a partir do primeiro semestre do novo ano promoveu uma antecipação aos ativos de renda variável.

O dólar, que avançou 27% em 2024 e encerrou aquele ano aos R$ 6,17, terminou 2025 com 11% de desvalorização, aos R$ 5,48. A queda da moeda americana vai em linha com a perda do ímpeto da moeda frente as principais divisas do globo. O DXY, que compara a moeda frente ao iene, euro e outras quatro moedas, cedeu 9,5%.

“A realocação das carteiras dos EUA trouxe um fluxo grande para emergentes e isso é parte da história da desvalorização do dólar. E, com isso, o Brasil é um candidato favorito das opções disponíveis”, diz Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, sobre o desempenho da moeda ao longo do ano.

Contribuiu com a queda da cotação em 2025 a taxa de juros em 15%, a maior em quase duas décadas. É que, com ela neste nível, favorece uma operação chamada carry trade: toma-se empréstimo em moedas com juros baixos e aplica o investimento em economias de juros altos, acelerando o retorno dos investimentos.

A queda nos juros americanos também contribui com esse tipo de operação. É que o diferencial entre o juro do Brasil e dos EUA aumenta. Num cenário em que os aplicadores globais saem de lá, o patamar da taxa se torna um atrativo para o capital global.

Bolsa sobe 34%

O Ibovespa subiu 33,95% em 2025, alcançando, por 32 vezes no ano, sua máxima histórica nominal. O principal índice da Bolsa, que reúne as maiores empresas de capital aberto do país, saiu dos 120 mil pontos e alcançou, no fim do ano, 161.125 pontos.

“O que ditou o ano foi o payback (devolução) do que tivemos no ano passado (o Ibovespa registrou queda de 10% em 2024) e um pouco de saída de dinheiro estrangeiro dos EUA indo para mercados emergentes. Só que, como nossa liquidez é baixa, isso é suficiente para irmos bem”, afirma o superintendente de renda variável da SulAmérica Investimentos, Gilberto Nagai. “Junto com valuation barato, isso chama atenção”, lembra Nagai, sobre os chamados “preços descontados” das ações.

Uma medida lida de perto pelos investidores é a relação entre preço e lucro. É a capacidade da empresa de gerar através dos lucros, em anos, aquele valor aplicado inicialmente na compra da ação.

Hoje esta relação está em nove vezes, enquanto a média histórica do Ibovespa é de onze vezes. Ou seja, as ações do índice estariam “descontadas”, descorrelacionadas do preço que deveriam registrar.

Outros fatores também contribuíram para a recente valorização: a perspectiva de queda no juro brasileiro – antes estimada para janeiro, agora prevista para março de 2026 –, para além da flexibilização na taxa americana iniciada em setembro, também promovem um apetite maior para a renda variável.

Em dólares, o Ibovespa subiu 51,5%, em linha com outras bolsas emergentes: a mexicana também registrou 51% de alta, enquanto a colombiana subiu 74%. O índice sul-coreano Kospi também avançou expressivos 79%.

E para 2026?

Com os “preços descontados” e com o investidor internacional ainda com apetite para investir em outras geografias, Luciano Telo, chefe de investimentos na gestão de fortunas do banco suíço UBS no Brasil, vê espaço para a seguida valorização do índice até o primeiro semestre, quando a volatilidade vai começar a ser onipresente por conta das eleições.

Apesar disso, ele afirma que o ideal é que o investidor foque num prazo maior:

“Você tem que ter uma posição de Bolsa para ter resultado positivo na carteira e pequena suficiente para não vendê-la em momentos difíceis, de oscilação”, ele orienta.

A visão é compartilhada por Nagai, da SulAmérica. “Ainda há esse vento de cauda, do investidor internacional, que pode ajudar que pode não ser tão ruim. Há a confiança de um crescimento dos EUA não sendo tão pujante, por que, se fosse, não teria motivo para ele comprar ativos fora de lá. E vamos nos beneficiar dessa tendência”, ele diz, afirmando que até a definição de quem concorrerá ao pleito, em meados de março, deveremos ver o ímpeto do apetite internacional ditando os rumos da Bolsa brasileira. As informações são do jornal O Globo.

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