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Bolsa Família é o único programa federal a atingir 100% das metas entre os dez mais caros

Não foram alcançadas as metas previstas para Previdência, saúde e educação e infraestrutura. (Foto: Lyon Santos/MDS)

Análise do Tribunal de Contas da União (TCU) com base no primeiro ano do Plano Plurianual (2024-2027) mostrou que nos dez programas onde o governo mais gasta dinheiro, apenas um cumpriu as metas: o Bolsa Família. Esses dez programas representam 72,5% do Orçamento.

Não foram alcançadas as metas previstas para Previdência, saúde e educação e infraestrutura.

Com relação aos objetivos das políticas públicas prioritárias do governo Luiz Inácio Lula da Silva, apenas 45% foram cumpridos. Em entregas efetivas à população, o desempenho foi ainda pior: apenas 27%. A exceção foi o Bolsa Família, com êxito de 100% em metas e realizações concretas.

O TCU se deteve em dez programas das áreas de previdência, transferência de renda, educação, saúde básica, infraestrutura de transportes, recursos hídricos, desenvolvimento regional e mineração.

Juntos, esses programas representaram 72,5% do valor empenhado (reservado para pagamento) em 2024. Para o relator, ministro Jhonatan de Jesus, as ações selecionadas são a “espinha dorsal das políticas públicas” e, por isso, seriam uma “medida razoável” para avaliar os benefícios à população.

Segundo o relatório, os programas da Previdência Social, Atenção Primária à Saúde e Educação Superior exibiram cumprimento intermediário de metas, enquanto as ações de infraestrutura de transporte rodoviário e ferroviário tiveram baixa taxa de cumprimento, mesmo com destinação orçamentária expressiva.

“A Administração Federal alcançou avanços inegáveis em programas com modelo de gestão maduro — caso do Bolsa Família — e registrou progresso parcial em Previdência, Saúde e Educação Superior. Entretanto, exibiu desempenho insuficiente em infraestrutura logística, educação básica e iniciativas territoriais, áreas determinantes para elevar a produtividade e reduzir desigualdades regionais”, disse o relator, em seu voto.

Os ministérios responsáveis pelos programas apontaram como principais motivos das falhas as restrições orçamentárias e de pessoal especializado, assim como problemas na coordenação com estados e municípios. Para o ministro do TCU, as explicações são válidas, mas revelam padrão estrutural de dificuldades, que se refletem em “obras paralisadas, prazos de análise de benefícios acima do legal e metas abandonadas”.

O ministro também apontou deficiências nos indicadores escolhidos para medir o sucesso dos programas, do ponto de vista de relevância, confiança e clareza. Na educação básica, por exemplo, o relator destacou que muitos índices se limitam à contagem de vagas ou matrículas, sem aferir a aprendizagem efetiva ou a permanência dos alunos.

Na Previdência, Jhonatan notou que o tempo médio de decisão sobre benefícios ainda carece de metodologia formalizada e desagregação regional, o que limita a avaliação das filas em diferentes partes do país. Além disso, algumas metas foram consideradas genéricas, recorrendo a verbos como “aprimorar”, “fortalecer” e “ampliar”, sem explicar o resultado esperado.

“O desequilíbrio entre metas cumpridas e fragilidade dos indicadores sugere que parcela relevante dos resultados anunciados carece de comprovação sólida quanto ao impacto para o cidadão”, disse o ministro.

Em nota, o Ministério do Planejamento, responsável pelo PPA, afirmou que as conclusões do TCU demonstram a relevância do Plano Plurianual na identificação de desafios estruturais para implementar políticas públicas. “Esses desafios são estruturais justamente por serem resultado de anos de precarização das capacidades estatais. O governo atual está empenhado na reorganização e reconstrução dessas capacidades.”

Segundo a análise do TCU, dentre os dez programas mais caros, o que teve pior desempenho foi o referente ao transporte rodoviário, que recebeu R$ 12,8 bilhões no ano passado. Apenas 11% das entregas atingiram 100% da meta, e só 20% dos objetivos específicos foram cumpridos. Ficaram abaixo da meta os objetivos de concessão de estradas à iniciativa privada e de duplicação de vias, por exemplo.

No transporte ferroviário, o resultado foi um pouco melhor, mas ainda considerado insuficiente pelo TCU. Segundo o Ministério dos Transportes, a atual gestão se concentrou na elaboração de projetos, condução de licitações e execução de contratações no primeiro ano do PPA. A pasta disse que houve avanços concretos em 2024. “Foram realizados 15 leilões de concessão rodoviária bem-sucedidos”, afirmou. E acrescentou que, este ano, estão previstos R$ 161 bilhões em investimentos e 8.449 quilômetros de novas concessões. “Para 2026, a previsão é de mais de 20 novos projetos.”

No Ministério de Minas e Energia, o programa de mineração segura e sustentável não conseguiu cumprir nenhum dos seis objetivos previstos. O plano de reduzir em 10% o nível de emergência de barragens é um caso emblemático. Em vez de queda, houve aumento de 14%. Por outro lado, 71% das entregas analisadas atingiram a meta.

Na educação básica, o programa que previa aumentar a qualidade e promover a equidade cumpriu 20% dos objetivos e 45% das entregas, mesmo com um orçamento de R$ 68,9 bilhões. Segundo o relatório, a educação infantil atende apenas 37,3% das crianças de 0 a 3 anos, e o ensino médio não alcança a meta do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) desde 2011, registrando índice 4,1 em 2023. As informações são do jornal O Globo.

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