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Bolsonaro diz que os preços dos pedágios no Brasil extrapolam o razoável a ser pago

Bolsa de valores realiza nesta quarta-feira o primeiro dos três leilões para conceder 1.131 quilômetros de rodovias do Estado à iniciativa privada. (Foto: Arquivo/O Sul)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou neste sábado (15) que os preços dos pedágios no Brasil em sua maioria extrapolam o razoável a ser pago. Bolsonaro destacou que os contratos com as concessionárias são ajustados pelo IPCA, mas afirmou que os salários dos brasileiros não acompanham a inflação.

“Eu tenho conversado com o (ministro da Infraestrutura) Tarcísio (de Freitas) que, muitas vezes, quase todos extrapolam aquilo que é o razoável para pagar”, disse ele durante inauguração de obra que vai ligar a ponte Rio-Niterói com a Linha Vermelha, no Rio de Janeiro.

“Os contratos têm IPCA e tenho conversado com Tarcísio se pode por no contrato um reajuste quem sabe, né, com 90% do IPCA, ou 95% ou 80%, por que o salário não acompanha a inflação. Temos que começar a pensar no médio e longo prazos, e não no curto prazo”, completou.

A declaração foi dada ao comentar a concessão da rodovia Presidente Dutra que vence no começo de 2021. Uma nova licitação será feira este ano. O presidente voltou a criticar as agências reguladoras e disse que elas representam para o “bem e para o mal?” Segundo Bolsonaro, sua preocupação é sempre indicar bons nomes para as autarquias que às vezes têm mais poder do que um ministério.

Câmbio Flutuante

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reiterou na noite de quarta-feira (12), em entrevista à GloboNews, que a desvalorização da taxa de câmbio tem ocorrido sem piora em medidas de risco e que o importante para o BC é como esse movimento influencia as expectativas de inflação, segundo ele ancoradas.

As declarações de Campos Neto sinalizam que a autoridade monetária não vê disfuncionalidades na atual sequência de altas do dólar para sucessivas máximas recordes nominais, o que aponta uma não urgência de intervenção no mercado cambial. O presidente do BC começou a entrevista de cerca de 1 hora dizendo que o “câmbio é flutuante”, afirmação repetida pelo menos outras três vezes.

“O câmbio é flutuante. Então faz parte de uma política que o BC vem adotando que chamamos de política de separação. Você usa os juros para a política monetária, o câmbio é flutuante, e as ações macroprudenciais são para estabilidade financeira”, disse Campos Neto.

Questionado se comentários do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre câmbio feitos na noite de quarta poderiam afetar as cotações do dólar na sessão desta quinta, Campos Neto se esquivou e respondeu: “O câmbio é flutuante”.

Na quarta, Guedes voltou a defender um patamar de dólar mais alto do que no passado, o que segundo ele seria bom para a indústria, e chegou a criticar que anos atrás até empregada doméstica estava viajando para a Disney.

Os comentários do ministro foram feitos depois de o dólar à vista ter fechado numa nova máxima histórica nominal e acima de 4,35 reais na venda. A moeda norte-americana se apreciou nas últimas ocasiões em que Guedes fez comentários em defesa de um dólar valorizado.

Num contexto em que o real perde valor sem aumentos em medidas de risco ou queda acentuada no mercado de ações, Campos Neto rechaçou leituras de bolha na renda variável e disse que o preço está em 15 ou 16 vezes o lucro, enquanto no México essa relação é de 21.

“Não dá para dizer que a bolsa no Brasil hoje esteja muito cara. Não acho que existe algum tipo de bolha em algum mercado, mas estamos monitorando.”

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