O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (10) que autorizou a notificação feita pelo Ministério da Justiça aos supermercados que pedia explicações sobre o aumento do preço dos alimentos da cesta básica. No entanto, Bolsonaro negou intenção de tabelamento ou outro tipo de intervenção no mercado.
Mais cedo, o Ministério da Economia, dirigido por Paulo Guedes, enviou um documento à pasta da Justiça pedindo esclarecimentos sobre os motivos da ação.
“André Mendonça (ministro da Justiça) falou comigo: posso botar a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) para investigar? Perguntar para os supermercados porque o preço subiu? Falei: pode e ponto final. Ao chegar a resposta pode ser que o errado somos nós e o governo toma uma providência e ponto final”, afirmou Bolsonaro em transmissão pela internet.
O presidente ressaltou, como já fez em outras ocasiões, que não tem intenção de tabelar preços.
“Ninguém quer tabelar nada, ninguém quer interferir em nada, isso não existe. A gente sabe que uma vez interferindo, tabelando, isso desaparece da prateleira e a mercadoria aparece no mercado negro muito mais caro, já tivemos experiência disso no Brasil.”
Bolsonaro citou a retirada da tarifa de importação para até 400 mil toneladas de arroz como uma das providências que o governo tomou. Ele também disse que conversa com os ministros sobre como fazer para o “dólar não subir tanto”.
“O dólar tá alto, facilita as exportações. Tenho conversado sempre com ministros, presidente do Banco Central, o que podemos fazer para o dólar não subir tanto, legalmente, obedecendo as regras do mercado, tudo isso nós fazemos.
Além disso, o presidente relatou que nas conversas que teve com os representantes do setor de supermercados, ouviu que a margem de lucro seria “reduzida o máximo possível”.
“Foi uma conversa muito saudável, falaram que eles não são os vilões. A margem de lucro deles vai ser reduzida o máximo possível para colaborar, porque a economia tem que pegar. O Brasil tem que dar certo.”
Ministério da Agricultura
A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou nesta quinta que o governo não fará nenhum tipo de intervenção nos preços dos principais alimentos da cesta básica, que registram aumento expressivo.
Em entrevista à Rádio Gaúcha, Tereza Cristina voltou a afirmar que “não existe risco de desabastecimento no País”. Na terça-feira (8), a ministra disse que não há risco de falta de arroz.
“Muita gente está em casa (na pandemia). Então, arroz, feijão e óleo foram mais consumidos. Onde elas comiam antes? Em outros lugares, mas quando você vai em um fast-food ninguém come arroz e feijão”, afirmou a ministra, confirmando o aumento do consumo.
“Alguns dizem de ‘Ah, mas exportou muito’. Sim, mas nós temos estoque para abastecer o consumidor. A gente tem que cuidar para que não sejam preços abusivos, mas que não deixem margem para escassez de alimentos. Isso é tudo um equilíbrio. Um jogo que tem que ser colocado”, completou Tereza Cristina.
