O Brasil é a favor de qualquer medida que combata o terrorismo em qualquer lugar do mundo, disse, na sexta-feira (3), o presidente Jair Bolsonaro ao ser indagado sobre a posição do país em relação ao ataque feito por militares dos Estados Unidos no Iraque que matou o principal general do Irã, Qassem Soleimani. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo e da agência de notícias Reuters.
“Nós somos favoráveis a qualquer medida que combata o terrorismo pelo mundo”, disse o presidente ao ser indagado sobre o ataque ordenado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em Bagdá.
“Nós sabemos a posição do Irã perante o mundo, o que os árabes pensam a respeito do Irã e como os apoios, ou melhor, o abandono de apoio em relação ao Irã vem acontecendo nos últimos anos. Então acompanhamos isso, não podemos concordar em grande parte com o que acontece lá, mas temos uma posição de uma certa equidistância”, acrescentou.
Aumento das tensões
O presidente Jair Bolsonaro minimizou o aumento das tensões entre Irã e Estados Unidos e seus efeitos de longo prazo sobre o preço do petróleo. Em entrevista na tarde de sexta-feira (3) ao programa Brasil Urgente, da TV Bandeirantes, o presidente afirmou acreditar que os iranianos “dificilmente” vão retaliar os americanos após a morte do general Qassem Soleimani. Bolsonaro disse ainda que Irã e Brasil mantêm conversas sobre exportação de alimentos, mas destacou que “países que dão cobertura a terroristas ficam cada vez mais para trás”.
Bolsonaro destacou uma conversa que teve na manhã de sexta com o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, para discutir as possíveis consequências no Brasil da tensão internacional. Segundo o presidente, Castello Branco avalia que a alta no preço do petróleo não deve se manter por muito tempo e deve ficar entre 5% e 6%, semelhante ao aumento causado pelo ataque com drones a uma refinaria de petróleo na Arábia Saudita em setembro do ano passado.
O presidente afirmou desconhecer o poder bélico do Irã, mas acredita que o país não vai retaliar os Estados Unidos: “É suicida da parte deles”, disse. Bolsonaro também avaliou que, em um conflito militar, “perde o mundo todo”, e defendeu que o posicionamento do Brasil no caso é “pacífico”: “Afinal de contas, nós não temos forças armadas nucleares como alguns países têm”.
Bolsonaro defendeu ainda o presidente americano, Donald Trump: “Acho que o Trump não está fazendo campanha política em cima disso, não. Quando o Bin Laden deixou de existir se aventou essa possibilidade, mas o americano tem uma linha muito séria no tocante ao combate ao terrorismo”. O presidente voltou a dizer que tem contato direto com o presidente Trump, embora tenha afirmado que “não abuse” dessa “liberdade”.
