Dois meses após visitar Chapecó pela primeira vez, o presidente Jair Bolsonaro voltou à maior cidade do Oeste de Santa Catarina para cumprir agenda e participar de uma “motociata” com apoiadores. O evento reuniu milhares de pessoas, percorrendo mais de 80 quilômetros entre Chapecó e Xanxerê.
Ao retornar ao município que foi ponto de partida, Bolsonaro discursou a apoiadores do alto de um trio elétrico ao lado da Arena Condá e, mesmo que falasse em tom político, garantiu que o ato não tem relação com a campanha presidencial do próximo ano.
Voltou a criticar medidas de isolamento e a defender o voto impresso, acusando, sem provas, de haver fraudes nas eleições.
Além disso, afirmou que a CPI da Covid é conduzida por “sete pilantras”, mas ignorou as acusações mais recentes de omissão, como as do depoimento dos irmãos Miranda. A fala foi transmitida ao vivo em rede social. No vídeo, é possível ver que os apoiadores não cumpriam distanciamento social para ouvir a fala.
“O Brasil ainda passa por um momento difícil. Desde o começo, falei que teríamos dois problemas. O vírus e o desemprego. Eu fiz a minha parte, não fechei um ‘botequim’ sequer. Não decretei lockdown e nem toque de recolher. Porque eu respeito a nossa Constituição”, apontou ele em nova crítica à gestão de governadores para frear a pandemia do novo coronavírus.
Bolsonaro não comentou diretamente o caso do contrato das vacinas Covaxin, denunciado pelo deputado Luis Miranda e seu irmão, mas criticou a condução da investigação. “Temos uma CPI de sete pilantras que não querem investigar quem recebeu o dinheiro. Apenas quem mandou o dinheiro.
Lamentavelmente, o Supremo decidiu pela CPI, e decidiu também que governadores (fossem desobrigados) a comparecer à mesma. Querem apurar o quê? No ‘tapetão’, não vão levar”, afirmou. A CPI é composta por 11 senadores titulares e sete suplentes.
O presidente tampouco mencionou a semana conturbada de pesquisas apontarem queda de sua popularidade. Apenas criticou o seu adversário político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem chamou de “vagabundo”, e voltou a defender o voto auditável.
“Tem eleições no ano que vem e, se Deus quiser e com o apoio do parlamento, o voto (será) auditável. Vamos botar um fim na fraude que deve acontecer, com toda certeza, a cada eleição. Tiraram um vagabundo da cadeia, tornaram esse vagabundo elegível. Querem, agora, torná-lo presidente pela fraude”, afirmou. Não há registro de fraude comprovada em eleições com a urna eletrônica.
Na última pesquisa do instituto Ipec, divulgada na última semana, Lula lidera a corrida eleitoral para a presidência com 49% das intenções de voto, contra 23% de Bolsonaro.
A “motociata” começou por volta das 9h deste sábado (26), mas apoiadores se concentravam desde as primeiras horas da manhã. Bolsonaro estava acompanhado de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que também transmitiu parte do passeio pelas redes sociais, e do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas. O prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), andava na garupa do presidente, também sem máscara.
O prefeito também falou aos manifestantes e defendeu Bolsonaro durante o seu discurso. “Nos trouxe felicidade, paz e vontade de continuarmos nessa caminhada. No caminho do bem. Encerramos com chave de ouro. Não importa o que dirão. O que importa, é o que vivemos hoje”, comemorou. Apoiador do presidente, Rodrigues divulgou o evento com o presidente ao longo da semana. “Preparem-se”, dizia a legenda de um vídeo com imagens de outras “motociatas”.
Chapecó enfrenta um momento crítico da pandemia. O município de pouco mais de 220 mil habitantes registrou 648 mortes pela covid-19 e, até sexta-feira tinha 96% dos leitos de UTI da rede pública lotados, segundo boletim divulgado no site da prefeitura.
