O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, foi submetido nesta quinta-feira (20) a uma drenagem após exame de tomografia indicar a presença de líquido ao lado do intestino, segundo informou o boletim médico do Hospital Israelita Albert Einstein.
Ainda de acordo com o centro médico, devido à elevação da temperatura (37,7 °C), foi realizada uma tomografia computadorizada de tórax e abdômen “que evidenciou pequena coleção de líquido ao lado do intestino.”
O político passou por uma “drenagem guiada por imagem, sem intercorrências. Está com dreno no local e evolui sem dor”.
Bolsonaro está internado no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, desde 7 de setembro, um dia após sofrer uma facada no abdômen durante ato de campanha e passar por cirurgia em Juiz de Fora (MG). Na semana passada, ele precisou passar por nova cirurgia para desobstruir o intestino.
No domingo (16), circulou nas redes sociais um vídeo em que Bolsonaro aparece caminhando pelo hospital com auxílio de fisioterapeuta. No mesmo dia, ele falou pela primeira vez ao vivo por meio do Facebook.
Campanha
Mais cedo, o candidato disse, nas redes sociais, que, se eleito, “os princípios liberais serão a bússola” de seu governo.
“Nós temos os fundamentos e as pessoas certas para, finalmente, trazer ao nosso País os valores que estampam a nossa bandeira”, afirmou, em postagem no Instagram.
No Twitter, também nesta quinta, afirmou que o brasileiro tem a opção de escolher alguém “livre de acordões políticos”, e que é favorável à redução da maioridade penal.
Na noite de quarta (19), o candidato disse, também nas redes sociais, que não pretende recriar a CPMF, imposto que incide sobre movimentação financeira. “Ignorem essas notícias mal intencionadas dizendo que pretendermos recriar a CPMF. Não procede. Querem criar pânico pois estão em pânico com nossa chance de vitória. Ninguém aguenta mais impostos, temos consciência disso.”
A afirmação veio após o jornal “Folha de S.Paulo” publicar reportagem informando que o orientador econômico da campanha de Bolsonaro, Paulo Guedes, disse que pretende recriar um imposto nos moldes da CPMF. A publicação também afirma que Guedes estuda uma alíquota única do IR (Imposto de Renda) de 20% para pessoas físicas e jurídicas.
Também na quarta, Bolsonaro publicou nas redes sociais que o lema de sua campanha é “chega de impostos”. “Nossa equipe econômica trabalha para redução de carga tributária, desburocratização e desregulamentações”, afirmou.
“Haddad está no segundo turno, Bolsonaro ainda não”, diz estatístico
O deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ) não para de subir nas pesquisas de intenção de voto desde que foi vítima de um atentado no início de setembro, mas seu lugar no segundo turno ainda não está garantido, diz o estatístico Paulo Guimarães.
Conhecido como “guru” de campanhas por ajudar a eleger, entre outros casos considerados impossíveis, o hoje candidato ao Senado César Maia (DEM) à prefeitura do Rio de Janeiro em 1992, Guimarães acompanha a eleição por meio de grupos controle de eleitores, atuando em 13 Estados nesta eleição. Presta consultoria, entre outras, à campanha de Geraldo Alckmin (PSDB), que ele põe ao lado de Ciro Gomes (PDT) no páreo pela vaga que muitos já dão como garantida para Bolsonaro no segundo turno.
O desafio de adversários mais ao centro, segundo ele, é se provar melhores adversários contra o PT de Fernando Haddad e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “O voto que veio [para Bolsonaro] após a facada é de um contingente puto contra o sistema. O voto branco e nulo diminuiu drasticamente e foi exclusiva e maciçamente para o Bolsonaro. Historicamente esse voto não é dele”, diz o estatístico.
Segundo Guimarães, “era muito difícil” o candidato do Lula não estar no segundo turno, e isso tem se confirmado pelas tendências. “O Lula é um apoiador muito forte”, diz.
“O voto dele não é de competência, é de protesto, de ódio ao outro lado. A maior fidelização entre os candidatos é a do Bolsonaro, mas tem uma parte muito flutuante ali ainda, que está lá pelo ódio. Se o eleitor perceber que pode ganhar do PT sem o ódio, ele pode mudar”, completa.
