O presidente Jair Bolsonaro reclamou da ausência da secretária especial da Cultura, Regina Duarte, em Brasília (DF). Em entrevista na porta do Palácio da Alvorada, afirmou que não está prevista nenhuma troca no governo agora, mas não descarta alterações no futuro.
“Infelizmente a Regina está em São Paulo, trabalhando pela internet. Eu quero é que ela esteja mais próxima. Ela é uma excelente pessoa, um bom quadro”, afirmou.
Para Bolsonaro, a secretária tem dificuldades em lidar com questões da pasta.
“[A Secretaria tem] muita gente de esquerda pregando ideologia de gênero, essas coisas todas que a sociedade, a massa da população não admite. E ela tem dificuldade nesse sentido”, justificou.
Questionado novamente se a atriz poderá deixar o governo, o presidente ponderou:
“Eu queria que ela estivesse em Brasília para conversar mais com ela. Só isso. Mais nada. Eu sou também apaixonado pela namoradinha do Brasil.”
No entanto, assim como em outras ocasiões em que titulares do governo estavam ameaçados no cargo, o presidente ressaltou que pode mudar qualquer integrante da equipe.
“Só não pode mudar o presidente nem o vice, né? O resto… Ninguém no meu governo vive sob tensão”, pontuou. “Não está previsto eu separar da Michelle. Mas essas coisas acontecem. Ela pode me deixar, né?”, disse.
Segundo a Folha de S.Paulo, na última semana, com o aval de Jair Bolsonaro, aliados do presidente deram início a um processo de fritura de Regina Duarte, com o objetivo de fazer com que ela peça demissão do cargo de secretária especial da Cultura antes mesmo de ter completado dois meses na função.
Regina também estaria sendo, segundo o jornal, vítima de fogo amigo de membros da secretaria que permaneceram da gestão passada e que, na avaliação deles, não têm sido prestigiados por ela até o momento.
A Folha afirma ainda que integrantes do governo e do setor cultural que apoiaram a escolha da atriz para o cargo disseram, sob condição de anonimato, que a atuação de Regina vem sendo decepcionante.
A atriz tomou posse no dia 4 de março, depois de uma longa negociação com a TV Globo, que pôs fim a um contrato de mais de cinco décadas.
Ela havia aceitado a proposta para integrar a equipe de Bolsonaro no fim de janeiro, substituindo Roberto Alvim, demitido depois de fazer um vídeo em que parafraseava o discurso de um ministro da Alemanha nazista.
