O presidente Jair Bolsonaro fez um aceno a uma de suas bases eleitorais em seu discurso de posse, dizendo que pretende valorizar os policiais “que sacrificam suas vidas em nome de nossa segurança”.
“Vamos honrar e valorizar aqueles que sacrificam suas vidas em nome de nossa segurança e de nossos familiares”, disse. “Contamos com o apoio do Congresso para policiais realizarem seu trabalho, merecem e devem ser respeitados.”
Bolsonaro também aludiu à sua intenção de facilitar o porte de armas. “Cidadão de bem merece ter meios de se defender”, disse. Uma das principais bandeiras de sua campanha ao Planalto, a segurança pública ganhou forma, entre outros, na defesa do projeto sobre o excludente de ilicitude para as forças policiais, tema controverso que gerou polêmica na campanha.
Bolsonaro exaltou ainda o papel das Forças Armadas e disse que elas vão cumprir com seu papel constitucional, mas que precisam de apoio “para manter capacidade dissuasória para resguardar nossos interesses e fronteiras.”
Valores conservadores
O presidente Jair Bolsonaro propôs, em seu discurso de posse no Congresso em Brasília, um “pacto nacional” para superar “a maior crise moral e ética da história” do Brasil com base em um programa ultraconservador no campo social e liberal no aspecto econômico.
“Convoco cada um dos congressistas para me ajudar na missão de restaurar e de reerguer nossa pátria, libertando-a definitivamente do jugo da corrupção, da criminalidade, da irresponsabilidade econômica e da submissão ideológica”, declarou o capitão da reserva, de 63 anos, ao ser empossado o 38º presidente da República Federativa do Brasil.
Bolsonaro propôs um “pacto nacional entre a sociedade e os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário” para cumprir com um programa conservador no campo social e liberal no setor econômico.
“Vamos unir o povo, valorizar a família, respeitar as religiões e nossa tradição judaico-cristã, combater a ideologia de gênero, conservando nossos valores”.
“O Brasil voltará a ser um país livre das amarras ideológicas”, sentenciou o presidente eleito em outubro com 57,8 milhões de votos (55%) sobre o petista Fernando Haddad.
Bolsonaro, que durante os quase 30 anos como congressista ficou conhecido pelas frequentes declarações racistas, misóginas e homofóbicas, se disse decidido a “construir uma sociedade sem discriminação ou divisão”.
Também fez alusão à sua promessa de liberar a posse de armas, ao afirmar que “o cidadão de bem merece dispor de meios para se defender”.
Absteve-se, no entanto, de dar detalhes sobre os planos de ajustes e privatizações promovidos por seu ministro da Economia, Paulo Guedes, embora tenha se comprometido a trabalhar em nome do interesse nacional, do livre mercado e da eficiência.
Ao iniciar seu discurso, Bolsonaro agradeceu “a Deus por estar vivo”, em alusão à facada sofrida em 6 de setembro durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG). E concluiu com o lema de campanha de seu PSL (Partido Social Liberal): “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.
O presidente americano, Donald Trump, o cumprimentou em um tuíte por seu “grande discurso” e afirmou: “Os Estados Unidos da América estão com você!”
