Há muitos anos atrás recebi uma lição inesquecível!
Estava em Lisboa, perdido no centro da cidade, apressado e necessitando de informação da localização do Castelo de São Jorge. Repentinamente, encontrei estático na esquina um guarda municipal. Abordei o mesmo e fui direto ao assunto: “onde fica o castelo?!”
“Ele me encarou com aparente receptividade e com a tranquilidade lusitana respondeu:” “Não dormimos juntos esta noite, não achas melhor antes de perguntar, me desejar um bom dia”.
E não esqueças também: “por favor”.
Constrangido e envergonhado, refiz a pergunta nos moldes sugeridos pelo meu interlocutor.
Aprendi a lição e sempre em qualquer situação faço primeiramente um cordial e claro: “Bom dia!!” Às vezes para pacientes idosos, digo de brincadeirinha: “Bom dia, como vai sua tia!!” Outras vezes, recordo da voz poética da minha mãe, que já está no céu e declamo:
“Bom dia, disse a coruja, na casa do quero-quero, se não tem café com leite, café preto eu não quero!!”
Em contraste com o fantástico avanço da tecnologia também fico impressionado com a evolução da frieza e da indiferença da nossa sociedade contemporânea atual.
Nosso comportamento social está se desumanizando. Hoje vivemos uma época de extrema individualização com fragmentação do sentimento coletivo.
Quase todos os dias, antes das 7 horas, quando chego ao hospital, os elevadores do prédio garagem estão cheios.
Ao entrar, exclamo “bom dia”. Na maioria das vezes, ninguém responde! Volto a conclamar em tom mais alto.
Ai sim, muitos até emburrados respondem.
Acho que não entendem que e uma saudação de afeto e carinho. É um incentivo, um abraço auditivo. E uma mensagem de agradecimento, pois viveremos mais um dia portanto cumprimente e retribua com ardor esta afetiva mensagem matinal: BOM DIA!
Carlos Roberto Schwartsmann – Médico e Professor universitário
