O Brasil criou 921.645 empregos com carteira assinada no primeiro semestre de 2026, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nessa quarta-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Apesar do saldo positivo, o resultado é o pior para o período desde 2020, quando, sob os efeitos da pandemia de covid-19, o País registrou fechamento líquido de 1.398.484 vagas formais.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve desaceleração na geração de empregos. Entre janeiro e junho de 2025, o saldo havia sido de 1.229.107 postos de trabalho. Já no acumulado dos últimos 12 meses, o País contabiliza 942.854 vagas formais criadas.
Somente em junho, foram abertas 145.161 vagas com carteira assinada. No período, o Caged registrou 2.220.131 admissões e 2.074.970 desligamentos. O desempenho também foi o mais fraco para o mês desde 2020 e ficou abaixo do saldo de 161.999 empregos formais registrado em junho de 2025.
Entre os setores da economia, o segmento de serviços liderou a criação de empregos no primeiro semestre, com saldo de 571,9 mil vagas. Em seguida aparecem a construção, responsável por 168,9 mil postos, e a indústria, que abriu 143,4 mil vagas no período.
A agropecuária apresentou o menor saldo entre os principais setores econômicos, com a geração de 40,8 mil empregos formais entre janeiro e junho.
Durante a apresentação dos dados, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, avaliou que o desempenho continua positivo, mesmo diante de um cenário de desaceleração econômica. Segundo ele, fatores como a manutenção dos juros elevados, as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump e os impactos da guerra no Oriente Médio influenciam o ritmo da atividade econômica.
“Acredito que (geração de emprego) vai continuar se comportando de forma disciplinada, crescendo pouco, o número de julho de 2026, contra o de 2025, ele não é muito diferente. Vai continuar crescendo numa velocidade menor do que foi 2023, 2024 e 2025, mas ainda vai ser um processo crescente.”
Na análise regional, 26 das 27 unidades da federação encerraram junho com saldo positivo de empregos formais. Apenas Alagoas registrou retração, com fechamento de 8,2 mil vagas. São Paulo liderou a geração de empregos, com 252,6 mil novos postos, seguido por Minas Gerais, com 109 mil, e Paraná, com 69,6 mil.
O salário médio real de admissão ficou em R$ 2.404,34 em junho, alta de 0,7% em relação ao mês anterior.
Para o economista da XP Rodolfo Margato, a desaceleração da demanda e as restrições de oferta em alguns segmentos devem manter o mercado de trabalho em um ritmo mais moderado nos próximos trimestres. A projeção é de que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça, em média, apenas 0,2% neste trimestre e no próximo, após expansão média de 0,8% no primeiro e no segundo trimestres.
“Ademais, setores como construção civil, serviços de alimentação & hospedagem, e serviços domésticos figuram entre os mais afetados pela escassez de mão de obra. Por fim, as incertezas quanto à condução da política econômica a partir de 2027 e eventuais mudanças na jornada de trabalho 6×1 podem levar as empresas a adotarem maior cautela, postergando decisões de investimento e novas contratações”, disse.
Na avaliação de Margato, o mercado de trabalho segue em expansão, mas em ritmo mais lento. A expectativa é de que a média mensal de criação de empregos formais recue de aproximadamente 110 mil vagas em 2025 para cerca de 80 mil em 2026.
“O amplo conjunto de medidas governamentais de estímulo contribui para sustentar a demanda no curto prazo, levando a uma desaceleração gradual do crescimento econômico e dos indicadores do mercado de trabalho em meio à política monetária contracionista.” (Com informações do jornal O Globo)
