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Brasil pode ter este ano segundo maior superávit na balança comercial, mesmo com tarifaço de Trump

A demanda chinesa por produtos como soja, minério de ferro e petróleo tem sustentado o crescimento das exportações. (Foto: Freepik)

O Brasil caminha para registrar em 2026 o segundo maior superávit da balança comercial de sua história, mesmo diante das incertezas provocadas pelas medidas protecionistas adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O resultado reflete o desempenho recorde das exportações brasileiras no primeiro semestre e levou o governo a revisar para cima a estimativa do saldo positivo das contas externas.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostram que as exportações brasileiras somaram US$ 184,8 bilhões entre janeiro e junho, o maior valor já registrado para o período. No mesmo intervalo, o superávit comercial alcançou US$ 42,3 bilhões, o segundo melhor resultado para um primeiro semestre da série histórica. Diante desse desempenho, o governo elevou a projeção para o saldo comercial de 2026 de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões. Se a estimativa se confirmar, o resultado ficará atrás apenas do recorde de quase US$ 99 bilhões obtido em 2023.

O avanço ocorre em um cenário marcado pelas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos. Apesar da redução das exportações para o mercado norte-americano em alguns segmentos, especialistas avaliam que o impacto sobre o desempenho geral da balança foi compensado pelo aumento das vendas para outros destinos, principalmente a China, que segue como o principal comprador de commodities brasileiras.

A demanda chinesa por produtos como soja, minério de ferro e petróleo tem sustentado o crescimento das exportações e reduzido a dependência do mercado americano. Segundo a economista Júlia Marasca, do Itaú, o aumento das vendas para outros países compensou a retração observada nos embarques destinados aos Estados Unidos. A instituição também revisou sua projeção para o superávit comercial brasileiro, elevando a expectativa de US$ 75 bilhões para US$ 80 bilhões neste ano.

Entre os fatores que contribuíram para a melhora das projeções está a valorização do petróleo no mercado internacional. A expectativa de preços mais elevados da commodity aumenta a receita obtida com as exportações brasileiras, favorecendo o saldo da balança comercial.

Além do efeito sobre as exportações, o superávit comercial exerce papel importante nas contas externas do país. O Brasil registra tradicionalmente déficit nas contas de serviços e de renda, devido aos pagamentos realizados ao exterior por serviços contratados, remessas de lucros e dividendos. O saldo positivo da balança comercial ajuda a compensar essas saídas de recursos e contribui para reduzir a necessidade de financiamento externo.

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