Uma mulher foi vítima de feminicídio no Brasil a cada 5 horas e 25 minutos no primeiro trimestre de 2026, em média. De acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o País registrou 399 vítimas entre os meses de janeiro e março.
O número coloca 2026 como o ano mais letal para mulheres nesse recorte desde o início da série histórica, em 2015. O levantamento indica uma alta de 7,55% em comparação com o mesmo período de 2025. Em uma década, o total de casos no primeiro trimestre mais do que triplicou, passando de 125 registros em 2015 para os atuais 399, superando inclusive os picos anteriores, como os de 2022, com 372 vítimas, e 2024, com 384.
Os dados acompanham uma tendência de crescimento também no consolidado anual. Em 2025, o Brasil registrou 1.470 feminicídios entre janeiro e dezembro, o maior número já contabilizado. O total superou o recorde anterior, de 1.464 casos registrados em 2024.
As informações são compiladas pelo Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), a partir de dados enviados pelas secretarias estaduais de segurança, além de registros da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal. O sistema reúne ocorrências classificadas como feminicídio, crime tipificado quando o homicídio de uma mulher ocorre por razões relacionadas à condição de gênero.
No recorte mensal de 2026, janeiro foi o período com maior número de ocorrências, somando 142 vítimas. Em fevereiro, foram registrados 123 casos, seguido por março, com 134 – o que indica uma leve oscilação ao longo do trimestre, mas mantendo patamares elevados.
Na distribuição por unidades da federação, São Paulo aparece com o maior número absoluto de casos no período, totalizando 86 vítimas. Em seguida estão Minas Gerais, com 42 registros, Paraná, com 33, Bahia, com 25, e Rio Grande do Sul, com 24 ocorrências.
Por outro lado, Acre e Roraima foram os únicos Estados que não registraram casos de feminicídio no primeiro trimestre de 2026, segundo os dados oficiais.
Além dos números absolutos, o levantamento também permite observar a variação proporcional entre os estados. Nesse aspecto, o Amapá apresentou o maior crescimento percentual. O Estado passou de dois casos registrados no primeiro trimestre de 2025 para sete no mesmo período de 2026, o que representa um aumento de 250%, embora em números totais permaneça abaixo de outras unidades da federação. (Com informações do portal de notícias g1)
