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Por medo de assédio, brasileiras deixam de usar roupa de ginástica que gostariam, aponta pesquisa

Estudo revela que cinco em cada dez mulheres já foram importunadas a caminho do treino. (Foto: Pixbay)

“Que beleza, hein, morena?”, “Tira esse shortinho” e “Se eu te pego, faço um estrago” foram algumas das frases relatadas por mulheres durante um levantamento feito para saber se praticantes de atividade física já sofreram algum tipo de assédio sexual.

A pesquisa realizada pela Smart Fit em parceria com a Opinion Box, com 1050 brasileiras, perguntou se elas já passaram por esse tipo de violência especificamente no caminho para o treino.

De acordo com o estudo, 54% das entrevistadas já ouviram comentários desconfortáveis no trajeto. Muitas disseram que já deixaram de usar alguma roupa de ginástica que gostariam de vestir por medo de algum homem mexer com elas.

A Smart Fit produziu um vídeo com a Pletora Filmes pelas ruas de São Paulo e gravou o trajeto de dez mulheres até o local de treino, em diferentes bairros da cidade.

“Nunca achei que seria tão explícito. Pelo filme deu pra ver todo o tipo de assédio, de todas as idades, e dirigido a todos os tipos de mulheres”, relata Renata Ursaia, diretora do vídeo de #DEIXAELATREINAR. A pesquisa ainda mostrou que mais de 80% das mulheres preferem se locomover a pé para irem treinar.

Para Louise Bussi, produtora de eventos e participante da campanha ‘Deixa Ela Treinar’, não é possível se sentir segura em São Paulo. “Participar da ação foi apenas comprovar o que costumo passar no meu cotidiano. As pessoas têm que entender que nosso corpo não é um convite. Nós queremos andar livres, independentemente da roupa que estamos usando. É péssimo você andar na rua e se sentir um pedaço de carne”.

MP lança campanha

O Ministério Publico do Trabalho (MPT) lança hoje (8), em comemoração ao Dia Internacional de Mulher, uma campanha de conscientização sobre a promoção da igualdade no mercado de trabalho e para estimular denúncias de discriminação e violência. A campanha foi batizada com o nome Lugar de Mulher é Onde Ela Quiser.

Durante o mês de março, serão distribuídos materiais informativos nas redes sociais do MPT e promovidas ações presenciais em diversos estados. Também serão lançados vídeos produzidos em homenagem ao trabalho da mulher e com histórias reais de mulheres que ocuparam espaços em cargos dominados por homens e chegaram a posições de liderança.

De acordo com o MPT, casos de assédio sexual e desigualdade salarial estão entre os problemas mais relatados pelas trabalhadoras. Nos últimos cinco anos, as denúncias de assedio sexual aumentaram 63,7%. No ano passado, 442 denúncias foram processadas pelo órgão.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) mostram que, em 2019, o rendimento de mulheres foi 22% menor do que o salário dos homens que tinham as mesmas atribuições. Em todo o Brasil, a pesquisa revelou que mulheres com curso superior ganham 38% menos que os homens com a mesma escolaridade.

O MPT possui uma cartilha que retrata a violência contra as mulheres. Nela, o órgão aborda situações de violência física, psicológica, moral e dá dicas sobre como denunciar situações discriminatórias.

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