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Brasileiro sobreviveu a desabamento em Miami: “O prédio deixou de existir a dois passos da minha porta”

Segundo o Corpo de Bombeiros, o acidente atingiu 55 apartamentos. (Foto: Twitter/Corpo de Bombeiros de Miami)

Morador há 20 anos do prédio que desabou parcialmente em Miami, nos Estados Unidos, na madrugada de quinta-feira (24), o brasileiro Bruno Treptow acredita ter “nascido de novo” após a tragédia. Bruno é pai da jornalista Joana Treptow, apresentadora do Jornal da Band. Ele foi entrevistado pela filha ao vivo e relatou os momentos de tensão e medo que viveu. A polícia confirmou nesta sexta-feira (25) a morte de quatro pessoas e acredita que 159 podem estar desaparecidas.

“Aconteceu 1h30. Eu estava dormindo e ouvi um estrondo que parecia vir do teto e acordei. Minha mulher estava dormindo. Ela acordou assustada e eu falei: ‘o teto está caindo!’ e ela respondeu: ‘não, não pode ser!’. Logo em seguida ouvimos outro estrondo. Depois, soube que nessa hora foi quando as duas outras partes do prédio caíram. Eu falei: ‘Pronto. Vamos morrer. Acabou’” contou.

“Quando o barulho parou, eu levantei. Estava perdido, não sabia o que fazer. Abri a janela para saber o que estava acontecendo mas tinha uma névoa de poeira, não conseguia ver nada. Fui pra porta da frente do apartamento e abri, mais uma vez não consegui ver nada. Voltei, fechei a porta e falei para a minha mulher: ‘se apronta, vamos pegar alguns documentos e ver o que acontece’. Voltei a abrir a porta da frente. Já tinha baixado um pouco a poeira, e foi aí que reparei que, dando dois passos pra frente da minha porta, o prédio deixou de existir. Fui para a varanda e fiquei esperando instruções dos Bombeiros. Nesse meio tempo chegou uma escada magirus, começou a tirar pessoas mais abaixo e logo em seguida nos resgataram”, lembrou.

Emocionado, Bruno contou que está vivendo uma “montanha russa de sentimentos”. Ele disse que sente gratidão por estar vivo, mas triste pelas vidas que podem ter se perdido no desastre. Segundo ele, havia oito apartamentos no mesmo corredor onde vivia e sete desabaram.

“O prédio dá de frente para praia e de frente pra rua. Eu moro de frente para rua e quando eu abro a porta, agora eu estou vendo a praia. Ou seja: os sete apartamentos, que estavam nesse corredor, já não existiam. Eram quatro de um lado, e quatro do outro. Toda essa ala caiu. Por sorte, graças a Deus, nós nascemos outra vez”, disse.

Vítimas

Segundo o Corpo de Bombeiros, o acidente atingiu 55 apartamentos. Há ao menos um menino brasileiro de 5 anos, Lorenzo, e outros 31 latino-americanos desaparecidos: um chileno, nove argentinos, seis venezuelanos, seis colombianos, três uruguaios e seis paraguaios. Neste último grupo, estão Sophía López Moreira, irmã da primeira-dama do Paraguai, Silvana López Moreira, seu marido e três filhos, e a empregada da família.

Ao todo, 35 pessoas que estavam presas na parte do prédio que resistiu foram resgatadas sem ferimentos. Dez moradores ficaram feridos e foram tratados no local. Outras duas pessoas precisaram ser transferidas para hospitais.

A polícia do condado de Miami-Dade, porém, disse nesta sexta que ainda não havia conseguido contato de todos que poderiam estar no edifício. Não há certeza sobre o total de moradores presentes porque o prédio era usado por muitos proprietários como casa de veraneio.

O prédio faz parte do condomínio Champlain Towers South, que terminou de ser construído em 1981, tem mais de 100 apartamentos e está localizado na Avenida Collins, na vila de Surfside. Unidades de um a quatro quartos têm preços que variam de US$ 600 mil a US$ 700 mil, até R$ 3,5 milhões na cotação atual do câmbio. As informações são do jornal O Globo.

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