O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ligou nessa quinta-feira (9) para o chanceler Eli Cohen, de Israel, para tratar da situação dos brasileiros que ainda não conseguiram sair de Gaza. Segundo o Itamaraty, o ministro israelense garantiu que os brasileiros estarão na lista de estrangeiros e serão autorizados a deixar Gaza nesta sexta-feira (10).
“Cohen afirmou não ter sido possível cumprir a garantia dada por ele de que os brasileiros sairiam ontem, 8/11, por fechamentos inesperados na fronteira. Assegurou a Vieira que brasileiros e familiares estarão na lista de estrangeiros autorizados a cruzar a fronteira amanhã”, declarou o Itamaraty em uma postagem no X (antigo Twitter).
Ainda de acordo com o Itamaraty, esse foi o quarto contato entre os dois ministros para tratar “da situação dos brasileiros retidos em Gaza”.
O portal de notícias G1 confirmou que o governo brasileiro foi autorizado pelo Egito a pousar em Al Arish, cidade egípcia a 53 km da Faixa de Gaza. É em Al Arish que o governo pretende buscar o grupo de brasileiros que aguarda permissão para deixar Gaza.
Ao todo, são 24 brasileiros, 7 palestinos com residência no Brasil e 3 parentes próximos que esperam para seguir para o Egito, na fronteira em Rafah, e embarcar em aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB). Assim que atravessarem a fronteira, eles vão embarcar em uma aeronave com destino ao Brasil. Mais de mil brasileiros que estavam em Israel foram repatriados. Faltam os que estão na Faixa de Gaza.
Na quarta-feira, foi divulgada a sexta lista, mais uma vez sem brasileiros. Foram beneficiados 228 cidadãos da Ucrânia, 107 das Filipinas, 100 dos Estados Unidos, 75 da Alemanha, 51 da Romênia e 40 do Canadá.
O governo brasileiro vinha pressionando diariamente as autoridades israelenses pela liberação. As negociações entre o governo brasileiro e os principais atores envolvidos, com destaque para Israel e Egito, acontecem em vários níveis.
Para o Brasil, não havia explicações para que outras cidadãos de outras nacionalidades, como americanos e países europeus, terem passado à frente dos brasileiros. Segundo interlocutores do governo, havia um jogo de empurra entre israelenses e egípcios. No último fim de semana, por exemplo, a Embaixada de Israel em Brasília divulgou uma nota responsabilizando o Hamas pela demora na autorização.
O chanceler Mauro Vieira falou pelo menos cinco vezes sobre o assunto com o chanceler egípcio, Sameh Shoukry. Na última segunda-feira, Vieira conversou com o primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Qatar, Mohammed bin Abdulrahman Al-Thani; e o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Antony Blinken.
Esses quatro países têm maior peso nas decisões sobre a entrada de ajuda humanitária e saída de estrangeiros. O Hamas, de acordo com Israel, também tem participação na escolha.
Na tentativa de apressar a liberação dos brasileiros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já conversou com os presidentes de Israel, Isaac Herzog; do Egito, Abdul Fatah Khalil Al-Sisi; e da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.
No último sábado, o assessor para assuntos internacionais da Presidência da República, Celso Amorim, falou com o conselheiro de segurança nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan. Ele fez um apelo para que os americanos ajudassem o Brasil a retirar seus cidadãos, que são em menor número que os dos EUA e da União Europeia. Além de Jake Sullivan, Amorim conversou com o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre. As informações são do jornal O Globo.
