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Breve em cartaz, as pesquisas eleitorais

(Foto: Reprodução)

Tenho uma particular “cisma” com as pesquisas eleitorais, pode parecer algo inocente da minha parte,  mas acredito na assertiva:

O  voto é secreto, não pode  ser revelado antes do pleito.

Revelar  a  intenção do voto mesmo que seja    de forma impessoal considero um  erro,  pois apesar de ser  uma intenção individual, quando somada a outras tantas  e tornada pública,  este  universo de votos não serão mais secretos  foram revelados publicamente mesmo que de forma impessoal.

Acompanhe:

Se as intenções de voto forem  apenas uma possibilidade,  então o conjunto destas intenções, ou seja  a pesquisa, não será a expressão da verdade,  mas sim  uma possibilidade tornada pública , algo  não  verdadeiro, portanto uma  falsa verdade ou fake news, porém publicada.

Se ao contrário , a pesquisa se torna pública  com a  intenção do eleitor e esta  se confirma  como expressão da verdade, então  os votos foram divulgados de forma   antecipada que ainda  será expressa  pelo eleitor durante a votação.

As  duas possibilidades:

 Ou a pesquisa não é expressão da verdade, portanto um “erro” ou uma mentira que ainda não  aconteceu ou foi revelado antes da apuração.

Em minha  opinião,  considero que as pesquisas eleitorais se prestam muito mais  como indutoras dos eleitores que tendem a votar  com a maioria ou no expediente do voto útil e não por sua própria consciência.

Claro que podemos dizer em quem iremos votar, mas publicar isso como “tendência do eleitorado” abre a possibilidade de manipulação ou indução ao voto útil.

O ” efeito pesquisa” condiciona  os eleitores que  de uma forma geral acreditam  nas  pesquisas como expressão  da verdade.

 A única forma de  desmenti-la é com a realização de uma nova pesquisa.

Há quem afirme que pesquisas são sempre um retrato do momento.

Ora, seria o retrato do momento,  se na próxima pesquisa, as pessoas  que foram  pesquisadas fossem as mesmas.

Isto é impossível, são outros  os entrevistados e os locais de pesquisa,  tudo se torna  muito manipulável,  mas  absolutamente dentro da lei!

 Não há como mensurar flutuações de intenção de voto pesquisando pessoas que não fizeram parte do universo das pesquisas anteriores.

O certo é que:

Um  candidato que estiver mal nas pesquisas  não será eleito, pois ninguém quer votar em quem não tem chances.

 É o que mais se ouve.

Este é o pensamento corrente e sabemos disto e isto é fato!

Sendo assim, o  eleitor quando pesquisado sempre tende a responder que seu candidato preferido é o que está entre os melhores.

Até as pedras da rua sabem  que os brasileiros se valem do expediente do voto útil baseado em  pesquisas, seja por não querer desperdiçar o voto ou por rejeição a outro candidato que ele (eleitor) não simpatiza.

Ou seja, escolhe o candidato que não é o seu preferido de sua consciência, para evitar que outro seja o eleito, pois seu preferido não tem  chances de acordo com  as pesquisas.

Me diga:

 Qual o interesse em publicar antecipadamente  uma “possível” preferência dos eleitores?

Que ganhamos com isso? Qual o propósito?

 Por que não deixar o processo seguir o destino natural de escolhas?

Sem intervir, e depois sim,  fazer as avaliações sociológicas.

Foi atribuída ao imperador Júlio César a frase  “Alea jacta est “, ( A sorte está lançada), dita aos seus soldados,  ao cruzar o rio Rubicão e se prepararem para  enfrentar  as consequências.

Assim deveriam ser nossas eleições, sem indução do eleitorado, só sua consciência política e deixar que as urnas revelem o resultado.

  Alguns entendem que pesquisas são um elemento que faz parte do processo eleitoral

Responda honestamente a esta pesquisa:

Você considera que as pesquisas eleitorais fazem parte do jogo eleitoral?

(   )  SIM        (   ) NÃO

Você considera que mesmo legais as pesquisas influenciam os eleitores em sua tomada de decisão na escolha de candidatos?

(   ) SIM          (     ) NÃO

Talvez um dia seja melhor avaliado a divulgação de pesquisas de intenção dos eleitores.

Por hora, o único recurso é não tomar conhecimento justamente para não se condicionar antecipadamente do que pode ser uma distorção da realidade que pode alterar os resultados.

Rogério Pons da Silva

Jornalista e empresário

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