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Buscas no Google sobre o fim da escala de trabalho 6×1 batem recorde com Flávio Bolsonaro no alvo

O candidato do PL à Presidência votou remotamente, de Porto Alegre. (Foto: Charles Vieira/Divulgação)

As buscas no Google do Brasil pelo projeto que acaba com a escala de trabalho 6×1 bateram o recorde nessa quarta-feira (14), dia em que o plenário do Senado aprovou o texto. No último mês, a pesquisa com maior alta sobre esse tema citava o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), que na véspera da votação recuou e passou a apoiar a proposta defendida pelo governo Lula (PT).

Dados do Google Trends consultados pela Coluna do Estadão, do jornal O Estado de S. Paulo, mostram que as buscas pela escala 6×1 não eram tão altas desde novembro de 2024, quando a proposta sobre esse tema da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) foi apresentada na Câmara. Esse texto foi incorporado a outro projeto, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que foi aprovado pela Câmara e agora foi votado no Senado.

O posicionamento de Flávio Bolsonaro sobre o fim da 6×1 aparece em três das dez pesquisas no Google sobre a proposta, o que mostra a sensibilidade do tema na campanha presidencial. A pergunta mais frequente no último mês foi “flávio é contra a escala 6×1”. A nona e a décima, respectivamente, foram “escala 6×1 flávio bolsonaro” e “flávio bolsonaro escala 6×1”.

O partido de Flávio e outras legendas da oposição mudaram a estratégia para a votação da 6×1. Depois de tentar postergar ao máximo as discussões, a votação dessa quarta contou com o apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL), em meio à disputa eleitoral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – embora integrantes do partido do filho de Jair Bolsonaro já defendam a aprovação do pagamento por horas trabalhadas em 2027.

O Senado aprovou nessa quarta-feira a proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais sem corte de salário. O texto vai à promulgação.

A PEC foi aprovada por 75 x 1 nos dois turnos de votação – eram necessários pelo menos 49 votos. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foi o único voto contrário. O PL de Flávio liberou a bancada para votar no texto, assim como o Progressistas.

Só três senadores não marcaram presença no primeiro turno da sessão: Ciro Nogueira (PP-PI), Márcio Bittar (PL-AC) e Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do senador à Presidência e autor da PEC que prevê o modelo de remuneração por hora trabalhada (veja mais abaixo). No segundo turno, Ciro Nogueira marcou presença e votou a favor.

Governador eleito do Paraná, o senador Sergio Moro (PL-PR) marcou presença na sessão, mas não votou em nenhum dos dois turnos.

Os senadores não mudaram o texto aprovado pelos deputados em maio.

O relator da PEC, senador Omar Aziz (PSD-AM), rejeitou emenda do senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR), que buscava manter a carga horária semanal de categorias que já têm jornadas especiais de 40 horas ou menos, redistribuindo as horas em outros dias para acomodar as duas folgas.

A oposição decidiu embarcar na proposta após Flávio Bolsonaro recuar das críticas e manifestar apoio à PEC, tentando neutralizar o ganho político que Lula teria com a aprovação da bandeira eleitoral do petista. O candidato do PL à Presidência votou remotamente, de Porto Alegre, onde fez campanha eleitoral.

Na terça-feira (13), o senador, que já havia classificado o fim da escala 6×1 de hipocrisia e medida oportunista, afirmou que tomou a decisão de apoiar a PEC para atender “a maioria da população”.

“Mas defendemos algo ainda melhor. Queria que tivesse liberdade para o trabalhador montar sua escala de trabalho”, disse após visitar o pai, que cumpre prisão domiciliar. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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