Com juros mais altos, crédito restrito e sem perspectivas de que a economia volte a crescer a curto prazo, o consumidor está optando pelos “seminovos” na hora de trocar de carro. As vendas de automóveis novos despencaram 31,82% em setembro em relação ao mesmo mês de 2014. É o pior desempenho para um mês de setembro desde 1998.
No ano, a retração chega a 21,73%. Na contramão, o mercado de usados cresceu 4,1% este ano e deve terminar 2015 com expansão de 4,5%, disse a Fenauto, associação que representa o setor. Já a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) prevê queda de 23% nas vendas de zero quilômetro.
No segmento de carros com tempo de uso de um a três anos, o aumento das vendas é de 39%. “O setor de seminovos não pode reclamar”, avaliou Ilídio dos Santos, presidente da Fenauto.
Em setembro deste ano, foram vendidos 192.610 automóveis e veículos comerciais leves zero quilômetro. No mercado de usados, as vendas em agosto, dado mais recente, chegaram a 1,16 milhão de unidades. Nos oito primeiros meses de 2015, as vendas de usados somam 8,8 milhões de veículos, frente ao 1,8 milhão de automóveis novos comercializados de janeiro a setembro. “Este é o ano dos seminovos, e 2016 também será”, afirmou Raphael Galante, consultor da Oikonomia, empresa especializada no segmento automobilístico.
Ele prevê que a venda de veículos na faixa de um a três anos de uso pode aumentar de 10% a 12% em 2016, mesmo após o salto deste ano. “Isso porque, mesmo com a economia ruim, os compradores estão no mercado. E, para driblar os preços altos do carro zero, procuram um carro mais novo, só que usado”, destacou o consultor.
Ainda segundo Galante, os carros novos subiram entre 5% e 7% este ano, apesar das vendas em queda. Já a Fenauto diz que o preço dos seminovos ficou praticamente estável. Como não existem dois carros usados iguais, mesmo da mesma marca e modelo, especialistas dizem que as tabelas de preços existentes no mercado são apenas referência. A variável é a conservação.
De acordo com a Fenauto, hoje, apenas 35% dos carros usados são financiados. Outros 5% saem através dos consórcios, e o restante é pago à vista, com o veículo antigo do consumidor entrando como parte do pagamento. O prazo médio de financiamento fica em 40 meses, e os juros mensais variam entre 1,8% e 2%. Para os carros novos, conforme a Anef (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras, as taxas estão em 1,8%. (AG)
