A Caixa Econômica Federal determinou à corregedoria da instituição a instauração de processo de apuração de todas as operações efetuadas na revitalização da região portuária do Rio de Janeiro e, em particular, das decisões do ex-vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias do banco Fábio Cleto envolvendo o projeto. As ações do ex-funcionário, demitido há duas semanas e apadrinhado político do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), também são alvo de investigação da Procuradoria-Geral da República na Operação Lava-Jato.
Nesse caso, a apuração prioriza o rastreamento das contas internacionais usadas para receber a propina paga pelas empreiteiras. Como vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa, Cleto criou no ano passado dificuldade para aprovar um aporte de recursos do FGTS, em torno de 1,5 bilhão de reais, para as obras do projeto de revitalização do porto do Rio. Ele chegou a assinar um parecer desaconselhando o investimento, mas mudou de ideia após dizer-se convencido pelos argumentos técnicos apresentados pela vice-presidência de Gestão de Ativos de Terceiros. Os procuradores investigam agora se, por trás das decisões de Cleto, estaria mais um caso de extorsão supostamente praticada por Cunha, desta vez tendo como alvo a concessionária Porto Novo, responsável pela execução do projeto Porto Maravilha. (Chico Otávio/AG)
