No início da manhã dessa quinta-feira, ao receber voz-de-prisão no Palácio das Laranjeiras, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, estava aparentemente calmo. Encarregados de cumprir o mandado contra o emedebista, a equipe formada por procuradores da República, delegados e agentes da PF (Polícia Federal) permitiu que ele tomasse café antes de ser conduzido.
A primeira-dama, Maria Lúcia, arrumou a mala do marido, de quem se despediu de forma emocionada. De camisa escura e sem algemas, Pezão foi levado para a sede carioca da PF (na Zona Portuária), no banco traseiro de uma caminhonete Pajero preta, o terceiro carro de um comboio da operação.
Os carros da PF deixaram o Palácio (onde fica a residência oficial do governador) exatamente às 7h35min e chegaram à sede da corporação quando faltavam oito minutos para as 8h, quase duas horas depois de anunciada a sua prisão. Antes e depois de embarcar no veículo, o governador se absteve de fazer comentários.
Pezão passará pelo presídio de Benfica, onde será feita sua classificação segundo critérios como reincidência e escolaridade, e seguirá para o Batalhão Especial Prisional, no bairro do Fonseca, na cidade-vizinha de Niterói. Ele será mantido na sala de Estado-Maior, reservada para chefes de Estado.
Corrupção
Luiz Fernando Pezão foi preso, no âmbito de um desdobramento da Operação Lava-Jato, três semanas depois de dez deputados estaduais acusados de corrupção serem alvo da mesma medida. A ordem foi dada pelo ministro e relator do caso Felix Fischer, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que também relatou a Operação Quinto do Ouro, que em março do ano passado havia prendido cinco conselheiros do TCE (Tribunal de Contas do Estado) do Rio de Janeiro.
O pedido de prisão foi feito pela Polícia Federal, a pedido da da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, faltando um mês para que Pezão – sucessor de Sérgio Cabral, preso desde novembro de 2016 – termine o seu mandato. Ele é investigado no STJ, que tem a competência para atuar em crimes envolvendo governadores, por envolvimento na “propinolândia” comandada no Estado pelo ex-governador. A operação tem como base a delação do economista Carlos Emanuel Carvalho Miranda, ex-operador de Cabral e delator premiado.
Em sua colaboração à Justiça, Miranda acusa o atual chefe do Executivo de receber do esquema uma mesada de R$ 150 mil de 2007 a 2014. O delator acrescentou que a propina a Pezão, na época vice-governador, incluía décimo terceiro salário e dois bônus, cada qual no valor de R$ 1 milhão.
Além de Miranda, Pezão ainda foi citado por outros dois delatores que firmaram acordo de colaboração premiada com o STJ: o doleiro Álvaro José Novis e o ex-presidente do TCE-RJ Jonas Lopes de Carvalho Filho.
Busca e apreensão
Agentes da PF também estiveram na residência particular de Pezão na pacata cidade de Piraí, das 6h às 10h, para cumprir um mandado de busca e apreensão. Durante toda a manhã, o ponto se tornou uma atração local. Muitos vizinhos foram às ruas, curiosos, e motoristas que passavam em frente não perdiam a oportunidade de tirar fotos ou gravar vídeos.
Como a casa estava vazia, foi necessário chamar a enteada do governador, Amanda, que vive nas imediações, para abrir a porta. No imóvel não havia pertences de luxo, joias ou dinheiro. Foram levados notebook, iPad, agendas e documentos.
Apesar da comemoração da prisão por alguns dos populares, houve quem lamentasse o destino do governador, que já foi prefeito de Piraí. A maioria dos descontentes elogiavam as realizações no comando do município e a sua humildade no trato com os moradores próximos.
