Um dia após um manifestante jogar notas falsas de dólar sobre ele, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), baixou nessa quinta-feira uma norma que obrigará todo mundo, inclusive servidores da Casa e jornalistas, a passar por detector de metal e a ter bolsas e mochilas escaneadas por raio-X para entrar nas dependências da Câmara.
Apenas deputados e senadores não serão submetidos à medida, que passa a valer a partir desta sexta-feira. A decisão foi informada pela Diretoria Geral pela intranet da Câmara, que é o sistema interno acessado pelos funcionários chamado Camaranet.
Na tarde de quarta-feira, Cunha dava uma entrevista coletiva no Salão Verde da Câmara quando foi interrompido por um militante do movimento Levante Popular da Juventude que jogou notas falsas de 100 dólares sobre ele. O manifestante, Tiago Ferreira Pará, que é secretário-geral da UNE (União Nacional dos Estudantes), foi detido pela Polícia Legislativa para prestar depoimento.
A decisão de Cunha de barrar o livre acesso na Câmara gerou polêmica na intranet dos servidores. “E as mulheres grávidas e os portadores de marcapasso e aparelhos auditivos?”, questionou uma servidora. Em tom de ironia, um servidor escreveu: “Segurança, colegas, porque alguns de nós somos muuuito perigosos!”. Outro servidor questionou: “Por que não os nobres parlamentares também?”. (AG)
