O estado do Mississippi, nos Estados Unidos, está adotando um novo sistema de câmeras capaz de registrar infrações de trânsito em veículos a até 300 km/h. Equipados com inteligência artificial, os equipamentos são instalados em pontos estratégicos das vias e detectam desde motoristas sem cinto de segurança até o uso do celular ao volante.
O Departamento de Segurança Pública do Mississippi (DPS) recebeu o sinal verde para a implementação do projeto, que terá validade de três anos e investimento de 2,052 milhões de dólares. Os equipamentos utilizados serão alugados da empresa Acusensus, que já fornece a tecnologia para outros estados, como o Arkansas.
Na prática, porém, as câmeras não têm a capacidade de multar automaticamente. Elas apenas registram o momento da infração e enviam as imagens para um policial, que avaliará a situação, podendo até parar o veículo, se achar necessário.
Entre as infrações detectáveis estão o uso do celular pelo motorista, a falta de cinto de segurança, crianças no banco da frente ou no banco de trás sem o equipamento obrigatório de transporte, entre outras.
As câmeras têm capacidade para fotografar o interior dos veículos que passarem por elas a até 300 km/h, sem perda de nitidez. Elas ficam instaladas em um tipo de reboque, que será posicionado em locais próximos a obras, zonas de alto impacto e outros pontos de difícil acesso para os policiais.
A localização de cada câmera não será fixa. O contrato prevê 52 mudanças por ano de cada reboque, sob responsabilidade da Acusensus.
A implementação gerou debate entre políticos dos EUA. Alguns são contra o uso da tecnologia, acusando-a de ser invasiva e de não respeitar a privacidade dos motoristas.
“Câmeras armadas com IA, espiando seu carro e processando suas ações, invadindo sua privacidade, e depois sinalizando para um policial vivo na estrada para te parar e emitir multas e/ou fazer prisões em tempo real. É uma ladeira muito escorregadia com ramificações assustadoras”, disse o deputado da Câmara Dan Eubanks ao jornal Magnolia Tribune.
Mesmo entre os defensores do sistema, há ressalvas sobre a forma de utilização da tecnologia . “No entanto, se algum dia forem usadas para emitir multas e enviá-las para você pelo correio sem que um policial realmente as escreva, como às vezes acontece em lugares como a Flórida, eu seria contra esse uso”, disse Joey Fillingane, senador do Mississippi.
Tecnologia já funciona no Brasil
Há alguns anos, câmeras semelhantes funcionam em diversas rodovias brasileiras. Diferente do sistema americano, onde as câmeras são móveis, aqui elas geralmente são instaladas em pórticos ou túneis específicos das estradas.
Assim como nos Estados Unidos, as câmeras utilizadas no Brasil conseguem registrar imagens em alta definição de veículos trafegando a até 300 km/h. . O sistema também não aplica a multa, mas envia a imagem para uma central, onde um policial avalia a situação e autua o veículo.
No estado de São Paulo, o sistema já é utilizado em seis estradas e está em fase de testes no Rodoanel. Minas Gerais, Santa Catarina e Paraíba também já utilizam a tecnologia. Com informações do portal Estadão.
