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Campanha de Lula demorou a falar a “linguagem do povo”, diz a líder do governo no Senado

"A oposição está atuando como se a gente já estivesse em 2027 aqui no Senado", diz Teresa Leitão. (Foto: Valdemir Barreto/Agência Senado)

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demorou para adotar a “linguagem do povo” no primeiro turno, mas o revés no domingo (4) não deverá atrapalhar o rito de votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1. Essa é a avaliação da líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE).

Em entrevista ao Valor Econômico, ela argumenta que o discurso eleitoral petista deveria ter sido mais direto em relação ao adversário Flávio Bolsonaro (PL), mas afirma que a campanha acertou ao reorientar a estratégia para a segunda etapa.

A senadora diz confiar que o presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União-AP), cumprirá o acordo com o governo e não só vota a proposta até a quarta-feira (14), como tem uma lista para aprovação “até maior” do que a do governo.

Para a senadora, a campanha tem de seguir promovendo o embate em relação à família Bolsonaro, mas de forma mais clara, “mais fácil”. “O que é evasão de divisas? O que é desvio de recursos? Ele (Flávio) está sendo investigado por isso”, lembra. “A gente tem que dizer que a corrupção de Flávio Bolsonaro se traduz em roubo, roubo de dinheiro público.”

A parlamentar se referiu à investigação do caso Master, em que Flávio aparece cobrando recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para bancar o filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do seu pai. Os investigadores querem saber se os recursos foram utilizados para esse fim realmente e como ocorreu a transferência do dinheiro aos Estados Unidos. Flávio nega qualquer irregularidade e alega que a operação teria sido um negócio privado.

Pernambucana, ela também julga, por exemplo, que o termo “miliciano”, usado pelo partido para tratar a relação de Flávio com condenados por integrar facções criminosas, é restrito ao Rio de Janeiro. “Temos que usar a linguagem que o povo entende: é ‘bandido’ mesmo”, sugere.

O PT estabeleceu uma estratégia de contraposição a Flávio neste segundo turno, com intensificação no embate, para tentar escalonar a rejeição ao senador. Parte dessa estratégia passa por vincular o parlamentar à gestão do pai, Jair Bolsonaro (PL), que governou o país entre 2019 e 2022.

“Temos que falar o que foi o governo Bolsonaro, o que foi o governo Lula e fazer um comparativo mais real. O que é a fila do osso? Tem humilhação maior do que você ir pegar o osso que foi desprezado pelo açougue?”, sugere a senadora. Para ela, é preciso “mostrar a face desta família e deste candidato de uma forma que a população entenda quem é Flávio Bolsonaro, Flávio é o pai mais novo”.

Cautelosa para criticar o desempenho petista aquém do esperado no primeiro turno, Teresa elogia, no entanto, a reorganização da campanha na área das redes sociais e a chegada de parlamentares eleitos com forte presença no digital. “Vamos qualificar a nossa presença nas redes. Ela é boa, grande, mas não trouxe votos. Eles (a direita) ganharam nas redes”, disse.

Aos 75 anos, a senadora pondera, contudo, que não se pode também esquecer a frente presencial. Escalada para ajudar na reversão da abstenção em Pernambuco, ela diz que o partido já mapeou os locais onde perdeu votos em relação a 2022 e é por ali que deve começar o trabalho de convencimento. “Eu acho que a gente tem que ir mais para cima com aquilo que é nosso”, afirma.

Em seu Estado, a queda não foi tão expressiva, mas ela promete trazer mais. “Pernambuco foi muito beneficiado com as políticas de Lula, e muitas vezes isso foi ofuscado pela apropriação do governo estadual e pela boa relação administrativa que sempre houve entre a governadora e o presidente”, argumenta, indicando que não espera apoio da governadora Raquel Lyra (PSD), que declarou neutralidade. Apesar da aproximação, o PT esteve ao lado do ex-prefeito derrotado João Campos (PSB). (Com informações do Valor Econômico)

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