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Campanha de Lula diz que decisão do ministro Kassio Nunes Marques sobre pesquisa abre precedente perigoso

Kassio Nunes Marques suspendeu uma pesquisa que apontava queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro (PL). (Foto: Alejandro Zambrana/TSE)

Integrantes da campanha de Lula (PT) reagiram com preocupação à decisão do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, de suspender uma pesquisa que apontava queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro (PL).

O presidente da corte acolheu um pedido do bolsonarista, que afirmava que o questionário induzia o entrevistado a uma percepção negativa, ao citar a troca de mensagens entre o senador e o dono do banco Master, Daniel Vorcaro.

Na campanha petista, a avaliação é que a decisão de Nunes Marques pode abrir um precedente perigoso. Fontes dizem, sob reserva, que a liminar é uma sinalização ruim.

O temor é que o novo presidente do TSE adote uma postura mais intervencionista nas eleições deste ano.

Historicamente, apesar de a suspensão de pesquisas eleitorais não ser um fato inédito, a corte eleitoral costuma agir em casos com falhas ligadas ao registro da pesquisa, por exemplo.

Neste ano, a então presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, suspendeu outra pesquisa que teria sido divulgada sem o registro prévio obrigatório da Justiça Eleitoral.

O caso envolvia a empresa Áltica Research. Na época, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) foi quem acionou a corte. A pesquisa não tinha o devido registro no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle) do TSE.

No meio jurídico, advogados de campanhas adversárias a Flávio afirmam que os argumentos da campanha bolsonarista não podem ser levados a sério.

A decisão de Nunes Marques é liminar e ainda será analisada pelos outros ministros da corte na sessão desta terça-feira (9).

“Profundo desgaste”

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou à Folha que Flávio Bolsonaro tem enfrentado “um profundo desgaste” após a revelação de que pediu dinheiro do então dono do Banco Master para financiar o filme “Dark Horse”. O deputado diz que o senador seguiu a máxima de “quando não consegue ganhar na mensagem, ataca o mensageiro”.

Para o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), Flávio deu um “tiro no pé” ao “pedir censura” por trazer “de volta o tema do vazamento do áudio”. A questão é que o próprio PL decidiu não fazer alarde em cima da decisão de Kassio Nunes Marques, que chegou ao STF (Supremo Tribunal Federal) por indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O presidenciável do PL compartilhou a notícia em suas redes com os dizeres “TSE suspende pesquisa que induzia respostas contra Flávio Bolsonaro”, mas não divulgou nota ou vídeo sobre o tema. Entre os poucos deputados bolsonaristas que publicaram sobre o tema, Carlos Jordy (PL-RJ) chamou a pesquisa de fake.

Nos bastidores, porém, o PT ligou um alerta. Até então confiantes de que poderiam “neutralizar” uma suposta proximidade de Kassio com o bolsonarismo, lideranças do partido entendem que o presidente do TSE não está imune às pressões desse campo político.

Flávio Bolsonaro acionou a corte eleitoral no dia 19 de maio, pedindo a suspensão da pesquisa. Ou seja, foram 20 dias até a decisão dessa segunda-feira (8), o que esvaziou o efeito prático da decisão contra o levantamento. Os petistas temem que, em casos futuros, Kassio Nunes Marques resista menos em atender os pleitos do PL. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

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