O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, mudou de posição em menos de 12 horas e anunciou que participará do debate promovido pela TV Band no domingo (18). A decisão ocorreu depois que o Partido dos Trabalhadores (PT) começou a explorar publicamente a possibilidade de ausência do adversário e que integrantes do próprio campo político do senador criticaram a estratégia adotada para a reta final da campanha.
A avaliação entre aliados do centrão e integrantes do bolsonarismo era de que deixar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falando sozinho diante de uma cadeira vazia poderia representar um risco eleitoral. O episódio poderia dar ao petista a oportunidade de ocupar o espaço do debate e transformar a ausência do adversário em um dos principais assuntos da disputa.
A reação ocorreu depois de o PT promover manifestações de apoio a Lula e ampliar a mobilização nas redes sociais. A campanha petista pretendia estender a ofensiva com declarações de dirigentes, apoiadores e porta-vozes, além de explorar o tema nas aparições públicas do presidente.
As críticas também partiram de pessoas ligadas à direita. Nos dias anteriores, aliados de Flávio haviam demonstrado insatisfação com a comunicação da campanha, que, segundo eles, passou a discutir medidas de um eventual governo antes de garantir a vitória eleitoral. Outra reclamação era de que o candidato se concentrava no discurso antipetista e em respostas a conteúdos considerados falsos, enquanto o adversário conseguia estabelecer os assuntos predominantes no debate público.
Um dos críticos foi o jornalista Paulo Figueiredo, aliado de Eduardo Bolsonaro que vive nos Estados Unidos. Em uma publicação nas redes sociais, ele questionou a falta de declarações do senador capazes de mobilizar os apoiadores. “Estou escrevendo o roteiro de mais um Paulo Figueiredo Show e, como sempre, não tenho um assunto bom do Flávio Bolsonaro, um corte, uma fala boa, uma pauta dominante. É como se não existisse campanha… Alguém tem alguma sugestão? Sério”, escreveu.
A manifestação foi acompanhada por críticas de outros perfis ligados à direita, que cobraram uma atuação mais ativa do PL. A avaliação era de que a campanha precisava ampliar a presença nas ruas e nas plataformas digitais, além de apresentar propostas capazes de disputar a atenção dos eleitores.
O episódio dos debates anteriores também influenciou as articulações. No segundo turno, Flávio havia anunciado que participaria de um confronto promovido pela TV Globo, mas Lula informou que não compareceria. A situação provocou uma disputa jurídica, com participação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e o encontro acabou cancelado.
Na avaliação de integrantes das duas campanhas, a ausência de Lula naquele episódio teve repercussão política e foi explorada pelo adversário. Agora, os petistas pretendiam utilizar a mesma estratégia contra Flávio, caso o senador mantivesse a decisão de não comparecer ao debate da Band.
(Com CNN)
