São pouco mais de 15h e a família Lins Baia termina o almoço em frente ao bar do Moe, no centro nervoso de Springfield. O curto descanso na vila que recria cenários de “Os Simpsons” é estratégico para a turma de brasileiros: pela frente, há ainda horas de caminhada no parque da Universal Studios, em Orlando (EUA).
Com o dólar nas alturas, a família brasileira quer gastar o dia ali mesmo.“Em outros tempos, pensaríamos em ir aos outlets. Mas o foco agora é diversão”, diz o advogado João Carlos Lins Baia, 53 anos, que viajou com a mulher e os dois filhos.
A disparada da moeda americana não parece ter afugentado brasileiros. Pela cidade, que abriga sete parques temáticos, o português é ouvido a cada poucos passos. Os visitantes vêm, no entanto, mudando alguns hábitos.
O apetite pelas compras, que fez dos brasileiros o xodó dos lojistas da cidade, está agora muito menor. “Nas lojas, os vendedores perguntam: ‘Onde estão os brasileiros?’”, diz Mark Jaronski, vice-presidente da Visit Orlando, órgão que promove o turismo na cidade.
O apego aos visitantes do Brasil não é fortuito. Em 2014, eles torraram, em média, 1.680 dólares (cerca de 6.535 reais) por pessoa na cidade, mais que americanos e canadenses (que lideram em número de turistas).
Segundo Christine Haughney, diretora do Mall At Millenia, shopping que reúne de marcas populares, como Forever 21, a grifes de luxo, como Prada, os brasileiros ainda são os principais clientes. Mas diminuiu o fluxo de visitantes que chegam com malas vazias para enchê-las ao longo do dia com compras – uma marca dos brasileiros.
A família Abreu visita Orlando há sete anos. Pensou em desistir desta vez, mas viu que sairia mais caro cancelar passagens e reservas. O roteiro, então, teve de ser adaptado. A primeira providência foi achar um hotel com cozinha, para que não precisassem tomar o café e jantar em restaurantes.
“Antes, não nos preocupávamos tanto com isso. Agora, o café na rua para os quatro não sai por menos de 150 reais”, diz o empresário Antonio Abreu, 42 anos, que viajou com a mulher e dois filhos.
O plano era passar os dias nos parques. Compras? Só o que estiver valendo muito a pena, segundo Silvana Abreu, 32. “Não vamos fazer enxoval para ninguém.”
