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Candidatos lamentam cancelamento do debate da Globo após interferência da Justiça nas regras

Emissora recebeu duas notificações de decisões judiciais que interferiam nas regras do debate previamente acordadas. (Foto: Reprodução de TV)

Os candidatos à Presidência da República que haviam confirmado presença no debate da Globo lamentaram o cancelamento do evento após a emissora receber, na noite de quinta-feira (1º), duas notificações de decisões judiciais que interferiam nas regras previamente acordadas.

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) proibiu a TV Globo de exibir a cadeira vazia reservada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que havia confirmado que não compareceria ao debate. Além de impedir a exibição do púlpito reservado ao petista, a ministra Estela Aranha determinou que os demais candidatos não poderiam fazer perguntas dirigidas a Lula.

Já o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a participação de Renan Santos (Missão) no debate. O pedido havia sido apresentado pelo Solidariedade em uma ação que tramitava no Supremo desde maio.

Veja o que disseram os candidatos:

Augusto Cury (Avante)

“E vem também o STF, que ganha protagonismo. O STF deveria ser um dos alicerces da democracia, e alicerces ficam no solo, discretamente, como guardião da Constituição. Os debates representam o oxigênio da democracia. Sem os debates, nosso céu não tem estrelas, nossas manhãs não têm orvalhos. Sem os debates, você não conhece as ideias. Sem as ideias, você fica no obscurantismo.”

Flávio Bolsonaro (PL)

“Essa insegurança jurídica, que é óbvia, todos percebem que já vem acontecendo, não é de agora. E, agora, nesse momento, chegou no seu ápice. Poucos minutos antes de iniciar o debate da Globo, onde milhões de pessoas estavam aguardando ansiosamente para comparar as propostas dos candidatos e escolherem o seu candidato, para daqui a três dias comparecerem às urnas, na maior festa da democracia. E vem uma decisão, ou várias decisões, que corroboram com a censura.”

Romeu Zema (Novo)

“Lamentável que, de última hora, tudo tenha mudado via decisão judicial, sem nenhum respaldo na legislação. O que nós estamos vendo é a politização total do Judiciário, que fica atuando não de acordo com a lei, mas de acordo com algum candidato que eles querem que ganhe, para poder manter os seus privilégios e corrupção, como nós temos visto.”

Ronaldo Caiado (PSD)

“O que nós estamos assistindo hoje é uma afronta completa à democracia, onde o TSE e o Supremo Tribunal Federal amanhã, provavelmente, terão uma pretensão de se reunir entre eles e decidir quem vai ser o presidente da República. Isto é inaceitável. Comprometeram o resultado do processo eleitoral, impedindo que nós estivéssemos num debate, sendo que todos os partidos assinaram as regras.”

Entidades manifestam “profunda indignação”

Em nota conjunta, a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), a Aner (Associação Nacional de Editores de Revistas) e a ANJ (Associação Nacional de Jornais) manifestaram “profunda indignação com a intervenção judicial nas regras previamente definidas” no debate que a Globo faria com os candidatos à Presidência.

“As entidades entendem que a interferência não se trata apenas de uma imposição de obrigações, sem previsões em lei, contra uma emissora privada. É, sobretudo, uma agressão à liberdade de imprensa ao forçar a condução do debate em desrespeito a regras acordadas há meses entre a emissora e os partidos”, diz a nota.

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