A candidatura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ao Senado pelo Distrito Federal deve concentrar sua atuação política em Brasília e reduzir sua participação direta na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), avaliam aliados do partido. A análise ganhou força após o PL oficializar, no domingo (2), a candidatura de Michelle durante a convenção da legenda no Distrito Federal. A ex-primeira-dama não participou presencialmente do evento, mas enviou uma mensagem em vídeo aos apoiadores.
Segundo integrantes da sigla, a disputa pelo Senado exigirá que Michelle concentre grande parte de sua agenda no Distrito Federal, com compromissos voltados ao eleitorado local, reuniões políticas e atividades de campanha. Com isso, sua presença em viagens pelo país ao lado de Flávio Bolsonaro tende a ser mais restrita durante a corrida ao Palácio do Planalto.
Apesar da limitação na agenda, dirigentes do PL afirmam que Michelle continuará sendo uma das principais fiadoras da campanha presidencial do senador. A expectativa é que ela participe de programas eleitorais, gravações para redes sociais, eventos considerados estratégicos e mobilizações voltadas, sobretudo, ao eleitorado feminino e evangélico, segmentos nos quais mantém forte influência.
A oficialização da candidatura ao Senado ocorre poucos dias após a reaproximação pública entre Michelle e Flávio Bolsonaro. Os dois protagonizaram um desentendimento nas últimas semanas, mas selaram a reconciliação antes da convenção nacional do PL, realizada em São Paulo, que confirmou a candidatura de Flávio à Presidência da República. Michelle não compareceu ao evento por permanecer em Brasília ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas gravou um vídeo exibido durante a convenção em apoio ao enteado.
Na mensagem, a ex-primeira-dama desejou sucesso à campanha presidencial de Flávio e convocou os apoiadores a permanecerem mobilizados durante a disputa eleitoral. O gesto foi interpretado por integrantes do partido como um sinal de pacificação após o período de atritos internos, que havia gerado preocupação entre lideranças da legenda às vésperas do início oficial da campanha.
Nos bastidores, dirigentes do PL avaliam que a candidatura de Michelle ao Senado fortalece a estratégia do partido de ampliar sua representação no Congresso Nacional, especialmente na Câmara Alta. A ex-primeira-dama aparece como um dos principais nomes da direita no Distrito Federal e é vista como uma candidata competitiva para uma das vagas em disputa.
A avaliação de aliados é que a divisão de tarefas entre Michelle e Flávio poderá beneficiar a estratégia eleitoral da legenda. Enquanto o senador concentrará esforços na campanha presidencial, a ex-primeira-dama deverá dedicar maior atenção à disputa pelo Senado, sem deixar de atuar como uma das principais cabo eleitorais do partido em eventos selecionados e na propaganda eleitoral.
