Os brasileiros vão encontrar menos candidaturas de denominações cristãs na hora de votar. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o registro de candidatos que se apresentam aos eleitores como lideranças religiosas recuou de 589 para 380 nos últimos quatro anos.
A queda dos líderes cristãos representa cerca de 35%, e esta será a primeira vez em 20 anos que o número de candidatos padres, pastores e bispos vai diminuir na comparação com o último pleito, considerando os nomes de urna.
Pela legislação eleitoral, os candidatos podem usar nomes, sobrenomes, apelidos ou ainda a nomenclatura pela qual são conhecidos na região onde vivem ou realizam trabalho de base.
É verdade que a Justiça Eleitoral registrou cerca de 8,6 mil candidatos a menos em 2026 do que há quatro anos. São 20,6 mil nomes nesta eleição ante os 29,2 mil de 2022, redução aproximada de 29%. Sobram, portanto, 6 pontos porcentuais que separam esse valor daqueles 35% a menos de freis, missionários e apóstolos nas urnas.
A professora de ciência política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Mayra Goulart pondera que candidaturas religiosas não se confundem com o enraizamento da fé. Para ela, a diminuição se explica pelo reordenamento do sistema partidário.
“O endurecimento da cláusula de desempenho e a redução do número de legendas produziram um enxugamento dos nomes registrados”, diz Mayra. A cláusula em questão é uma limitação imposta aos partidos que não atingem um porcentual dos votos válidos no País, distribuídos em um terço dos Estados. Em 2022, foi preciso alcançar 2% da votação nacional, e neste ano será necessário conseguir ao menos 2,5%. As siglas que não ultrapassam a “barreira” perdem direito ao fundo partidário e ao tempo de propaganda eleitoral de rádio e televisão.
A cientista política também avalia que, com o avanço das federações partidárias, as candidaturas “puxa-votos” perderam espaço. “É nessa franja que se concentravam os candidatos religiosos sem mandato ou estrutura de campanha.”
A reportagem do portal Estadão verificou que o PL e o MDB são os líderes em denominações cristãs nas urnas, ambos com 32 registros, DC (29), Republicanos (28) e Podemos (24) fecham os cinco primeiros.
Contra a tendência nacional, o MDB passou de 20 candidaturas para 32, aumento de 60% na presença de lideranças religiosas. Já o Novo saltou de um para 30 registros dessa natureza.
Considerando partidos de viés progressista, PT, PSOL, PDT, PSB, PV e Rede também contrariaram a tendência. Passaram de 35 para 56 candidaturas cristãs, crescimento de 60%, enquanto a média brasileira recuou 35% no período. Se em 2022, representavam 6% do total, hoje abrigam 15%.
Embora ainda seja um dos que mais abrigam candidaturas cristãs, o Republicanos passou de 50 para 31 registros dessa natureza. “A legenda da Igreja Universal, que tinha o maior contingente em 2022, caiu mais do que a média nacional”, diz Mayra.
O levantamento considerou uma série de termos, presentes nos dados do TSE, como: “pastor”, “bispo”, “missionário”, “reverendo”, “apóstolo”, “padre”, “dom”, “frei” entre outros, vinculados às principais designações do cristianismo. Há ainda 48 candidatos que se apresentam como “irmãos” ou “irmãs”, forma de tratamento comum nas igrejas evangélicas. A expressão, no entanto, não alude a um cargo ou título e, por isso, foi contabilizada em separado. (Com informações do portal Estadão)
