Apesar da redução no número de candidatos que se declararam militares ou policiais nas eleições de 2026, a quantidade de eleitos desse grupo aumentou em relação a 2022. Levantamento da Folha de S.Paulo, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), identificou 99 eleitos, equivalentes a 8% dos candidatos do segmento. Em 2022, foram 94, ou 4,9%.
O resultado ainda fica abaixo de 2018, quando 118 militares e policiais conquistaram mandatos, mas repete o percentual recorde de 8% de sucesso eleitoral registrado naquele ano.
Nesta eleição, 1.233 candidatos declararam ocupações ligadas às Forças Armadas ou às forças de segurança, ou utilizaram patentes e referências às corporações nos nomes de urna. O número representa 5,9% do total de concorrentes e é 36,4% inferior aos 1.924 registrados em 2022, quando correspondiam a 6,6%.
O levantamento considerou candidatos que declararam profissões como policial civil ou militar, bombeiro militar, militar reformado e integrante das Forças Armadas, além daqueles que utilizaram patentes ou identificações semelhantes nos nomes de urna. O total pode ser maior, já que alguns políticos com trajetória militar não se identificaram dessa forma na candidatura, como os governadores eleitos Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, e Luciano Zucco (PL), do Rio Grande do Sul.
O candidato mais votado entre os integrantes desse grupo foi o capitão da reserva do Exército Renan Contar (PL), eleito senador por Mato Grosso do Sul com 856 mil votos. Em seguida aparece o delegado Lenildo Sertão, conhecido como Delegado Caveira (PL), eleito deputado federal pelo Pará com 414,9 mil votos. O senador Alessandro Vieira (MDB), de Sergipe, ficou em terceiro, com 399,7 mil votos.
Entre os militares das Forças Armadas, General Pazuello (PL-RJ), ex-ministro da Saúde, foi reeleito deputado federal com 146,1 mil votos. Major Vitor Hugo (PL-GO), ex-líder do governo Bolsonaro na Câmara, também conquistou uma vaga, com 104,4 mil votos.
Entre os policiais militares, destacaram-se Sargento Nantes (PP-SP), eleito deputado federal por São Paulo com 333,4 mil votos, e Cabo Gilberto Silva (PL-PB), o mais votado para a Câmara na Paraíba, com 267,1 mil votos.
O PL foi o partido que mais elegeu militares e policiais: 51 dos 195 candidatos do segmento, ou 26,2%. O PP ficou em segundo lugar, com 11 eleitos entre 47 concorrentes. Já o Republicanos elegeu oito dos 121 candidatos, percentual de 6,6%.
O resultado ocorre após condenações de integrantes das Forças Armadas e de forças de segurança por envolvimento na trama golpista. Segundo o levantamento citado pela reportagem, 21 dos 29 condenados pelo STF no processo principal são militares das Forças Armadas.
Outros envolvidos eram oriundos de corporações como as polícias Federal, Civil e Rodoviária Federal. Também foram condenados cinco coronéis da cúpula da Polícia Militar do Distrito Federal por omissão nos ataques de 8 de Janeiro. (Com informações da Folha de S.Paulo)
