Filho do presidente Jair Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro voltou a criticar o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, agora pelo militar ter aceitado um convite para palestrar nos Estados Unidos há duas semanas.
Nas redes sociais, Carlos afirmou que, “se não visse, não acreditaria que [Mourão] aceitou com tais termos” a proposta feita pelo Wilson Center, tradicional ambiente de estudos e palco de palestras de diferentes campos políticos.
“Já que dessa vez não se trata de curtida, vamos ver como alguns irão reclamar. Ainda há muito mais. Esse jogo está muito claro”, disse Carlos, na mesma publicação. O convite, de 9 de abril, apontava o vice como “uma voz de razão e moderação, capaz de orientar a direção em assuntos nacionais e internacionais”.
Procurado, o Wilson Center disse que “os termos do convite foram aceitos pelo convidado”, mas não quis se estender sobre o teor dos comentários do filho do presidente.
O convite do Wilson Center expôs brevemente a sua visão sobre os cem primeiros dias do mandato de Jair Bolsonaro, “marcados por paralisia política, em grande parte devido às crises sucessivas geradas pelo círculo próximo ao presidente, se não por ele próprio”.
Carlos voltou às redes sociais no final da manhã para atacar novamente Mourão. Ele publicou um vídeo em que o vice comenta que a população civil venezuelana, que é, segundo Mourão, oposição ao ditador Nicolás Maduro, “tem que estar” desarmada como está porque senão haveria uma guerra civil no país, “o que seria horrível para o hemisfério”.
“Quando a única coisa que lhe resta é o último suspiro de vida, surgem essas pérolas que mostram muito mais do que palavras ao vento, mas algo que já acontece há muito. O quanto querer ser livre e independente parece ser a maior crueldade para alguns”, escreveu Carlos junto com o vídeo.
Mourão, respaldado pela ala militar do governo, posiciona-se contra uma intervenção na Venezuela para pôr fim ao regime, em contraste com a ala ideológica, cujo discurso conota simpatia por medidas internacionais diretas e duras no país.
Com o aval do pai para gerir os seus perfis oficiais nas redes sociais, Carlos tem críticos dentro e fora do governo, que o veem atuando nem sempre em favor de Bolsonaro.
Seus comentários públicos, por exemplo, precipitaram a demissão de Gustavo Bebianno, até então aliado próximo de Bolsonaro, da Secretaria-Geral da Presidência, em meio à crise das candidaturas laranjas do PSL reveladas pelo jornal Folha de S.Paulo.
Na segunda-feira (22), Carlos também entrou na polêmica do dia ao defender o escritor Olavo de Carvalho, depois de Mourão ter o contra-atacado. Olavo é o guru do entorno ideológico do presidente.
